OPINIÃO | “Em frente” e “Um passo à frente” – Parte II

O Congresso do CDS-PP realizado nos dias 10 e 11 de Março no concelho de Lamego foi o momento da consagração de Assunção Cristas como líder do partido, e sobretudo a confirmação do CDS como a grande casa da Direita Portuguesa.

Há dois anos em Gondomar, muitos dos militantes e dirigentes do CDS-PP questionavam a capacidade de Assunção Cristas de suceder a Paulo Portas com sucesso. Paulo Portas liderou a direita portuguesa durante 18 anos, tendo conseguido levar por diversas vezes o CDS-PP até ao Governo de Portugal. Afirmou-se como um líder carismático, que transformou um partido em agonia num partido do arco da governabilidade.

As expetativas ou os receios eram muitos, todos nós tínhamos a consciência da responsabilidade e dos desafios de se fazer afirmar uma nova liderança depois de um grande líder. Alguns “profetizavam” que se tratava de uma líder a prazo e de transição. Assunção Cristas interiorizou a velha máxima de que ao “CDS nada é dado, mas sim tudo conquistado”, assumiu uma liderança de proximidade com as estruturas, sempre atenta aos reais problemas do país, afirmou-se como líder da oposição às esquerdas encostadas, fazendo política pela positiva e respondendo com propostas bem concretas aos principais problemas que os portugueses e Portugal enfrentam.

Afirmou-se como uma mulher de coragem ao assumir a candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, muitos “profetizaram” de que se tratava de um passo em falso e que teria um resultado desastroso que provocaria o fim da sua liderança. Enganaram-se, Assunção Cristas quase que triplicou a percentagem de votos que Paulo Portas teve em 2001 quando se candidatou a liderança da Câmara da capital. Sem qualquer tipo de dúvida, este foi um momento de afirmação da sua liderança e a confirmação de que o CDS-PP com tempo, serenidade, humildade e trabalho vai afirmar-se como a alternativa à governação socialista que gere os destinos do nosso país.

A saída da política do antigo Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho e o desfecho do último congresso do PSD, com a vitória de Rui Rio, abriram uma janela de oportunidades para que o CDS se confirme como o partido dos eleitores de direita em Portugal.

Hoje o atual PSD encontra-se bem mais próximo do Partido Socialista do que os partidos que compõem com o PS o governo das esquerdas encostadas. Rui Rio não consegue esconder a sua proximidade a António Costa, e embora não tenha havido até ao momento a oportunidade para um casamento político formal entre os dois partidos da área do centro, na realidade já vivem em “união de facto”.

O facto de Rui Rio se aproximar do governo do Partido Socialista, o facto de se ter afirmado como um dos principais críticos da governação de Passos Coelho e de Paulo Portas, renegando a herança da recuperação económica e do resgate financeiro de Portugal, transformou Assunção Cristas como a herdeira natural do património político e eleitoral dos portugueses que reconhecem o mérito do último governo de Centro Direita em Portugal.

Trata-se de uma oportunidade única para o CDS e para Assunção Cristas, se souberem aproveitar a oportunidade de dar um passo em frente poderão muito em breve estar “um passo à frente”.

Texto de Pedro Magalhães

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