OPINIÃO | O velho e o novo PSD

O início do ano político nacional de 2018 foi indubitavelmente marcado pelo PSD. As eleições para a escolha do seu líder e o 37º Congresso do Partido, que ficou marcado pela despedida de Pedro Passos Coelho e pela consagração de Rui Rio, foram factos políticos relevantes e que mereceram ampla cobertura mediática.

Pedro Passos Coelho, como referi, terminou formalmente o seu mandato enquanto líder do PSD na abertura do Congresso, discursando pela última vez e passando o testemunho ao seu sucessor. Liderou o PSD durante 8 anos, 5 deles enquanto primeiro-ministro de Portugal num dos períodos mais difíceis da nossa história. Bem sei que, nesta altura, é apanágio dos portugueses, principalmente no espaço do comentário político, trazer ao de cima os factos positivos do seu percurso ao invés das constantes críticas a que esteve sujeito até ter anunciado que não era recandidato à liderança do Partido após as eleições autárquicas de 2017. Foram precisamente as eleições autárquicas que mais dano causaram a Passos Coelho e aquelas que definiram claramente o seu comprometimento com a governação do país, porventura não lhes conferindo a devida atenção quer em 2013, quer agora em 2017, e não deixa de ser curioso que o seu pecúlio tenha sido definido precisamente pelo poder local, um símbolo do Partido desde a sua fundação. Mas, tenho a certeza, o tempo será aquele que melhor fará a avaliação correta e fidedigna do legado de Passos Coelho. Ouvindo as reações de muitos dos militantes do Partido, podemos ter a certeza que, após Francisco Sá Carneiro e Cavaco Silva, não houve outro líder que tivesse deixado uma marca tão vincada e duradoura. E, creio, a generalidade dos portugueses, até pelos resultados eleitorais que alcançou, manterá na memória a ideia de credibilidade, perseverança e de estadista associada ao seu percurso político.

Mas, se como acima referi, as eleições autárquicas foram o “calcanhar de Aquiles” da liderança de Pedro Passos Coelho, Rui Rio tem precisamente no poder local o seu cartão de boas vindas, sendo o político que presidiu à Câmara Municipal do Porto durante mais anos e aquele que definitivamente maior e melhor obra deixou naquele município. Apesar de algumas escolhas para a direção do Partido, que deixaram muitas dúvidas junto dos congressistas, nomeadamente a antiga Bastonária da Ordem dos Advogados, e após um controverso processo de escolha do novo líder parlamentar, não podemos descurar o capital político de Rui Rio e a sua capacidade de gerar confiança junto dos eleitores, principalmente no que ao seu grau de comprometimento com o superior interesse do país diz respeito.

Durante os próximos tempos, vamos assistir a uma série de programas de comentário político em que se vai discutir a desunião entre um suposto “velho” e “novo” PSD. Acredito que, muito em breve, como a história nos mostra, voltará a falar-se novamente do PSD, naquele que, apesar de ter nas bancadas do Parlamento o maior número de deputados, vive um novo paradigma de estar a liderar a oposição a uma solução governativa inédita. O mesmo Partido de onde provém o político recordista dos índices de popularidade, o atual Presidente da República. O PSD com que o país sabe que sempre contará.

Texto de Artur Miler

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