OPINIÃO | O Início de 2018

As disputas eleitorais têm o condão de conseguir enriquecer o debate político, trazer para o palco mediático e para a discussão pública várias ideias e propostas que fazem parte do manifesto eleitoral das forças políticas a sufrágio, sendo que muitas deveriam merecer uma atenção especial do executivo eleito porque, em início de mandato, tem a oportunidade maior de as acolher no seu programa eleitoral vencedor.

Todos os munícipes são unânimes no repúdio a “velhos hábitos”, incluindo os próprios autarcas de freguesia, nomeadamente no que respeita à forma desigual como se “olha” para as 16 freguesias do município. Todos concordam que deveriam deixar de existir. Porém, muitas delas são (e serão sempre?) carentes de um maior e mais específico investimento, e os seus Presidentes de Junta reconhecem necessitar da parceria financeira e logística da Câmara Municipal para poderem efetivar obras fulcrais para o desenvolvimento da sua freguesia e para maior comodidade dos seus fregueses.

No início de 2018 são já algumas as matérias e factos marcantes a merecerem ser lembrados. Desde logo, a aprovação do primeiro Orçamento e Grandes Opções do Plano do novo executivo municipal presidido por Margarida Belém. É sempre com muita expetativa e curiosidade que se acompanha a elaboração e submissão política destes documentos à Assembleia Municipal porque plasmam quais os eixos fundamentais e as apostas políticas do executivo. Infelizmente, a forma como decorreu a elaboração destes documentos não foi a melhor, mesmo considerando que as forças políticas opositoras têm tendência a conceder o benefício da dúvida que decorre do início de mandato. Um certo condicionamento do papel da Oposição e, a exemplo de anteriores votações, Presidentes de Junta não afetos ao executivo municipal, infelizmente já prática habitual, parecem continuar a “marcar” a postura de submissão “silenciosa” ao poder manipulador da maioria do executivo camarário, o que nada dignifica o normal funcionamento das instituições e que, na minha opinião, acaba por não beneficiar os arouquenses.

Aqueles pressupostos e esta última atitude de alguns dos autarcas eleitos deixou também claro o fim da coligação PSD/CDS-PP. Apesar da reeleição dos respectivos Presidentes de Comissão Política, o CDS-PP, através do seu líder, deu disso conta recentemente em artigo publicado na imprensa local, indo de encontro aos sinais dados na votação do Orçamento e Grandes Opções do Plano com a abstenção nessa votação, divergindo do voto contra dos vereadores eleitos do PSD. Com estes factos, fica claro que, à semelhança da composição da atual Assembleia da República, também na Assembleia Municipal de Arouca não existe uma maioria clara nem do PS nem do PSD, o que permite também, e como diz o ditado popular, “separar o trigo do joio”. Se por um lado temos listas independentes a concorrerem a algumas Juntas de Freguesia, mas que na verdade estão absolutamente comprometidas com o PS, aliás prática comum em Arouca, do lado da coligação Somos Arouca vislumbra-se que o PSD é o PSD e o CDS-PP é o CDS-PP, no que aos seus eleitos diz respeito.

Por fim, não podia deixar de dar uma nota de congratulação para a Escola Básica e Secundária de Escariz. A maior subida no ranking dos exames do ensino secundário pertence-lhes e demonstra bem o potencial dos alunos arouquenses e daquele estabelecimento de ensino em particular, que muito nos orgulha e que nos augura um ano que, esperemos todos, seja de grandes sucessos coletivos e individuais.

Texto de Artur Miler

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