OPINIÃO | 50º Aniversário dos Convívios-Fraternos

Vai p’lo mundo mostrar a tua herança, sê conviva da paz e do amor”

Serão muitos os leitores que conhecem e vivem os ideais desta frase. Refiro-me a todos aqueles que fizeram a experiência de um Convívio Fraterno, movimento que faz, este ano, 50 anos de vida.

Os Convívios-Fraternos são um movimento de espiritualidade e de ação de jovens católicos que propõem a vivência, testemunho e anúncio do Evangelho como oportunidade de realização individual, familiar e social de todos os que a ela adiram através da participação num Convívio-Fraterno e de meios de perseverança postos ao alcance de todos os que nele participam, segundo orientações da Igreja.

É próprio do ser humano, nos caminhos da sua vida, sentir necessidade de algo de sobrenatural, de divino, que, frente à sua contingência, à sua limitação, seja resposta para o problema, por vezes, angustiante da sua existência.

Para esquecer este drama, sempre angustiante, o homem ou se absorve e envolve nos marasmos da vida até à exaustão para abafar tais problemas ou, para os solucionar, procura encontrar espaços de paragem para sobre eles reflectir. E quando se pára para se encontrar, tem necessidade de alcançar uma resposta para as suas interrogações, certeza para as suas dúvidas.

Os Convívios-Fraternos pretendem ser também solução e resposta para os problemas morais e religiosos dos jovens, apresentando-lhes Jesus como “Caminho” que dá sentido à vida: “E quando um jovem O aceita e se abre à força do seu Espírito, então Deus inunda todo o seu ser transformando-o totalmente, enchendo-o e envolvendo-o numa paz, alegria e felicidade dificilmente experimentadas.” Pe. Valente. Assim, este movimento, tem como finalidade o despertar para a Fé em ordem à Evangelização. Mais tarde, abriu-se, também, a casais, visando sobretudo, os pais dos jovens convivas.

Tudo começou com a inteligência, a coragem, a determinação e a capacidade de leitura do mundo, das suas necessidades e desafios, despertadas pelo Evangelho, do Padre Valente de Matos, natural de Avanca. Militar de carreira, foi capelão militar durante a guerra colonial e posteriormente. (É provavelmente o homem mais inteligente, espantoso e extraordinário que conheço.) O contacto com milhares e jovens militares permitiu-lhe sentir as suas angústias, sofrimento e falta de sentido da vida, provocada por uma guerra inútil. Então, movido pela força de Jesus, deitou mão à obra e criou esta dinâmica para levar a Esperança a todos os jovens. Hoje o movimento está em praticamente todas as dioceses do país, no Brasil, Angola, Moçambique, França, Suíça e Luxemburgo.

Mais tarde, depois da reforma, o Pe. Valente podia gozá-la com tranquilidade. Mas, mais uma vez, movido pela força do Espírito, dedicou-se a um novo projecto dos Convívios, Reconstruir. Empenha-se na “recuperação” de jovens que se destroem nos caminhos da droga. Está sediado em Avanca.

Para assinalar a data, uma cruz conviva está a percorrer todas as dioceses e vigararias. Os convivas de Arouca e Vale de Cambra podem participar no acolhimento da cruz, em fevereiro: Mansores dia 4, Moldes dia 5 e Castelões dia 6, por volta das 19h.

Para mais informações podem consultar o Facebook dos convívios do Porto Sul ou através do mail, convívios_fraternos@hotmail.com

Texto de Carlos Matos

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