OPINIÃO | Um exemplo de cidadania

O reconhecimento pessoal é sempre um acto de agradecimento por quem o faz, mas deve ser, sobretudo, um acto merecido de quem o recebe. Nem sempre é assim e, exemplos destes têm havido muitos, bastando para isso referir grandes personalidades homenageadas que, pouco tempo passado, se verifica nada terem de grandes pessoas.

Hoje quero aqui prestar a minha homenagem de gratidão a alguém que a merece pelo que fez, mas sobretudo pelo modo como o fez. Falo do Prof. Ramiro Fernandes.

Conheci o Prof. Ramiro em 1984, quando ele com o pároco da altura, criou a Escola de Música de Moldes. Fiz parte da primeira turma de alunos e, desde então (e até hoje…) foram muitas as actividades partilhadas e os ensinamentos aprendidos na música, mas também na forma de ser.

Recentemente, por iniciativa da Academia de Música de Arouca, o Prof. Ramiro Fernandes foi homenageado, pelo seu percurso profissional mas também pela actividade cívica.

É sem dúvida uma homenagem merecida. Não é a primeira, já em 2001 a Escola de Música de Moldes, numa semana cultural por ela promovida, lhe prestou tributo e, desde essa altura, existe uma placa de gratidão a ele dedicada, no coro da Igreja de Moldes. Também em 2010, a mesma escola aquando da edição da recolha etnomusical em livro, “Arouca a cantar as Janeiras”, prestou a devida homenagem ao autor Prof. Ramiro Fernandes.

A pessoa Ramiro Fernandes está intimamente ligada à maioria das instituições de Arouca, sobretudo no âmbito da música. Assim, deu as primeiras notas de música na Banda Musical de Arouca; foi fundador da Academia de Música de Arouca, do Orfeão de Arouca e da Escola de Música de Moldes; membro activo do Conjunto Etnográfico de Moldes e dinamizador de diferentes Grupos Corais de várias paróquias, entre outros…

Tudo isto já é muito, mas o que mais o caracteriza é o modo como sempre esteve nestas e outras coisas: a forma dedicada, disponível e desprendida; a atitude generosa, altruísta e desinteressada; o espírito alegre, jovial e atencioso. São exactamente estes predicados que fazem do Prof. Ramiro uma pessoa única, exemplar e merecedora do nosso agradecimento, mas foram também estes méritos que muitas vezes fizeram que fosse pouco reconhecido, muitas vezes desvalorizado e, outras ignorado.

Aqui deixo a minha sincera homenagem… Espero que viva muitos anos e desejo que o seu trabalho de recolha etnomusical venha a ser integralmente editado e fique para o futuro como uma preciosidade do nosso património musical e etnográfico. Por mim, tudo farei nesse sentido.

Como entoa a Mariza no tema “Chuva”:

Há gente que fica na história

da história da gente

e outras de quem nem o nome

lembramos ouvir.

Texto de Vítor Carvalho

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