OPINIÃO | A paz, a proposta de Natal

O desejo de paz faz parte dos anseios mais profundos da pessoa humana desde os primórdios da humanidade. Em todos os tempos e lugares, em todas as línguas, a paz foi cantada, pintada, escrita, apregoada…

No mais íntimo de cada ser humano, em cada um há o desejo de uma civilização fundada no amor, na justiça, na concórdia e na paz; fundada não no abstracto mas no real, no concreto de cada realidade.

Ao longo dos tempos foram-se desenvolvendo sinais que servem para recordar às pessoas de cada época e lugar a necessidade de construir a harmonia – símbolos da paz: a pomba branca com um ramo de oliveira, do tempo bíblico da Arca de Noé; a bandeira branca, que representa a paz mundial entre os povos, marca da Idade Média; os cinco anéis olímpicos que retratam a união dos continentes. Já na Antiga Grécia as guerras eram interrompidas durante os jogos olímpicos; a vela, luz, que significa a presença de Divino no mais íntimo do ser humano, entre outros.

Também seres humanos se destacaram nesta tarefa de aproximar pessoas e nações: Martin Luther King, no seu célebre discurso “ I have a dream” (eu tenho um sonho), considerado por muitos um dos melhores discursos de todos os tempos, exortou, em 28 de agosto de 1963, à nova geração de americanos a ter a coragem de eliminar o racismo para alcançar a igualdade racional.

Mahatma Gandi conseguiu libertar a Índia do subjugo Inglês de uma forma pacífica, em 1947, tornando-se um estado independente. Ele afirmou: “algo que seja ganho através da violência não vale a pena possuir”, “ o amor é a mais subtil das forças do mundo”.

Nelson Mandela lutou, na África do Sul, contra o “apartheid”, (brancos e negros, em maioria, não partilhassem, em comum, a governação e não vivessem em concórdia e fraternidade) de maneira a garantir uma vida melhor para as pessoas negras e uma sociedade mais justa. Segundo ele, a paz é indispensável ao relacionamento entre os povos e entre as pessoas.

A importância da paz é destacada e distinguida pela atribuição do Prémio Nobel deixado à humanidade por Alfred Nobel. De acordo com a sua vontade, o prémio deveria distinguir pessoas que tivessem feito a maior ou melhor acção pela fraternidade entre as nações e pela manutenção e promoção da paz.

Paz deriva do Latim pax e refere-se à ausência de violência e de guerra. Mas paz é mais do que isso. E por ser um valor essencial na construção da nossa identidade, da nossa realização e felicidade, o Papa Paulo VI propôs a criação do Dia Mundial da Paz, no 1 de janeiro, desde 1968. A escola promove no dia 31 de janeiro, dia da morte de Gandhi, o Dia Escolar da Não Violência e da Paz.

Ainda citando Gandhi, “a paz exterior é inútil na ausência de paz interior”. Façamos neste Natal e no mês de ano novo, este exercício de reflexão: será que temos paz interior? Quais os motivos que nos levam a essa ausência? Assim, certamente, teremos um melhor Natal.

O Papa Francisco, talvez um dos próximos prémios Nobel da Paz, afirma, “para fazer a paz é preciso coragem, muito mais do que fazer a guerra. Que o estilo da nossa vida se torne shalom, paz, shalom”.

Para todos, um santo Natal e um ano de 2018 com muita Esperança e Paz.

Texto de Carlos Matos

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