OPINIÃO | Mudar sem hipotecar as sociedades vindouras

1 – Em primeiro lugar, gostaria de deixar algumas palavras de reconhecimento ao meu colega Ivo Brandão, enquanto cidadão activo, interventivo e talentoso; estou certo que embora tenha deixado de estar presente neste espaço de comunicação, conhecendo-o desde longa data, continuará a pautar a sua vida e a utilizar os tons adequados aos vários projectos e instituições onde quer que esteja envolvido.

Em segundo lugar, agradecer o convite e o desafio que me foi formulado para dar o meu contributo nas páginas do jornal Discurso Directo.

Confesso que não sou um comunicador brilhante. Acima de tudo procuro ser um cidadão activo, envolvido numa comunidade e numa sociedade que quero diferente, plural e participativa. O comodismo e a inércia não fazem parte do meu dia-a-dia.

Neste sentido, aceitei este desafio, podendo dar a minha opinião, objectivar os meus pontos de vista e transmitir a visão holística que tenho da vida e que tento transmitir aos meus filhos e às pessoas/instituições com quem me relaciono. Espero contribuir, assim, para um futuro melhor e uma sociedade mais justa.

2 – Procurarei neste espaço, abordar diferentes temáticas que considero merecedoras de reflexão. A título meramente exemplificativo posso referir um tema que cada vez mais é recorrente ouvirmos falar: sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. E, desde logo aquilo que se relaciona com a sustentabilidade do planeta terra, a finitude dos recursos e as alterações provocadas pela acção humana.

Sobre este assunto, oferece-me aqui aflorar que para a sua compreensão teremos que procurar entender as diferentes dimensões e, sobretudo, não cometer o erro de pensarmos que a sua resolução só depende da divindade, dos governos, dos políticos, enfim dos outros.

Como referia num artigo escrito do jornal Público, Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), “precisa-se de matéria prima para construir um Paí­s”. Esta citação de uma extraordinária reflexão do malogrado autor (e que é um desafio que deixo a todos os leitores para o ler), leva-nos a concluir que os “culpados” são facilmente identificados desde que consigamos destrinçar o olhar para um vidro, do olhar para um espelho; acreditem, é uma diferença enorme.

Na mesma linha, mas igualmente difícil, se apresenta a introspeção sobre aquilo que fazemos diariamente na, e para comunidade, ao serviço dos outros, do bem das pessoas ou da terra; ou mesmo das “chico-espertices” que fazemos e das quais nos gabamos como feitos brilhantes, na escola, nas mesas do café, no barbeiro ou tão somente entre amigos.

Vivi recentemente uma experiência nova, enriquecedora, assisti e apercebi-me de todos os aspectos – bons e menos bons -, de um acto que é das coisas mais extraordinárias, mas exigente que muitas vezes não valorizamos: democracia, liberdade de expressão, pluralidade, diversidade, enfim e resumindo, cidadania activa e responsável.

Confirmei as suspeitas, estamos numa sociedade onde não se olha a meios para atingir os fins…

Também confirmei a minha convicção de que só faz sentido vivermos, enquanto pessoas com princípios e valores éticos, sérios nas convicções, verdadeiros nas acções, com ideias e olhares capazes de mobilizar outras para o bem comum. Um olhar para as pequenas coisas, numa perspectiva que serão essas que irão fazer a mudança (matéria prima e semente do futuro).

Podemos ludibriar, manipular, subjugar, mas lá no fundo, o que importa é que aquilo em que “tocarmos” seja para o mudar numa perspectiva de transformação positiva e criadora duma sociedade melhor, sem hipotecar as sociedades vindouras.

Texto de Vítor Carvalho

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