OPINIÃO | Novo ciclo?

Era difícil sequer imaginar que a tragédia que se abateu no nosso país a 15 de Outubro de 2017 se voltasse a repetir, quer no que respeita a área ardida, quer principalmente, e mais uma vez, no que respeita ao número de vítimas decorrentes desses malfadados incêndios florestais.

Estávamos no pós-eleições autárquicas, o país político já discutia o Orçamento do Estado para 2018, em que já se vislumbravam naquele documento claras cedências do PS às reivindicações do PCP, como consequência dos resultados de 1 de Outubro, ao mesmo tempo que surgia a acusação do Ministério Público na Operação Marquês e, claro, o relatório da Comissão Técnica Independente solicitado pelo Parlamento sobre o que acontecera em Pedrogão Grande.

Nesse relatório, a referida Comissão Independente explanava que “as opções táticas e estratégicas” tomadas contribuíram para as “consequências catastróficas” do fogo de Pedrogão Grande, colocando novamente “sob fogo” a então ministra Constança Urbano de Sousa.

Os alertas haviam sido muitos e debatidos principalmente em concelhos com grandes áreas florestais, com especial ênfase para a reforma das florestas e o ordenamento do território. Foi logo no início da tragédia de Pedrogão que o Governo pediu a Xavier Viegas, especialista em fogos florestais, que investigasse no terreno o que se tinha passado, esse mesmo especialista que esteve em Arouca no âmbito de uma conferência promovida pela estrutura local do PSD, que pretendia de uma forma clara refletir sobre o sucedido em 2016 e contribuir para a resolução destes problemas e propondo medidas para que o mesmo não se voltasse a repetir.

E, mesmo assim, voltamos a não conseguir “ficar de fora”. Aquele Domingo de Outubro, infelizmente, não deixou mais uma vez de incluir Arouca no rol de mais de 500 ignições com que o paí­s se deparou naquele dia e noite de condições climatéricas únicas e já previamente anunciadas pelos meteorologistas. Nesse dia o Estado, que tem como dever fundamental proteger os seus cidadãos, falhou mais uma vez como aconteceu em Pedrogão Grande!

Porém, como diz o povo, “depois da tempestade vem a bonança” e após tanta destruição de floresta no nosso concelho ao longo destes anos, com principal ênfase para o verão de 2016 em que a única ilação positiva foi mesmo a de conseguirmos não ter vítimas mortais à conta do sucedido, “teremos” alguém na Secretaria de Estado da Proteção Civil que, definitivamente, conhece o terreno, que falou e muito das forças “de Lisboa” que não desbloqueavam medidas de apoio a estes territórios e na descentralização de competências para os municípios. Enfim, alguém que terá agora uma oportunidade, com o destaque mediático que decorre do momento que vivemos, na coordenação desta área: o Eng. José Artur Neves.

Costuma-se dizer que a última imagem é a que fica… e, por isso, apesar dos “contornos” eleitorais da sua eleição de 14 de Outubro, eu e creio que todos os arouquenses, esperamos que tenha o maior sucesso nas novas funções para que foi nomeado, pois esse será o sucesso do país. Ao mesmo tempo, temos esperança que a influência nos chamados “corredores do poder”, que faltou nos seus mandatos enquanto Presidente de Câmara, tenha agora os devidos efeitos e consiga aquilo que tanto reclamou do poder central e que nos pode beneficiar enquanto munícipes. Votos de sucesso!

Texto de Artur Miler

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