OPINIÃO | Autárquicas 2017, um derradeiro olhar

As eleições autárquicas realizadas no passado dia 1 de Outubro, em Arouca, revelaram-se um curioso case study, particularmente naquilo que podemos chamar de psicologia colectiva do eleitorado. Tendo o escrevente destas linhas encabeçado uma candidatura que se bateu, sem sucesso, para que estas eleições não fossem apenas e só um plebiscito para escolha do presidente da Câmara Municipal de Arouca – Margarida Belém ou Fernando Mendes -, permitam-me que, num derradeiro olhar, me deixe contagiar pela onda.

Primeiro alguns números, que falam por si. Apesar de em 2013 o número de inscritos nos cadernos eleitorais ter sido superior (mais 449 eleitores), em 2017 foram votar mais 1024 arouquenses, diminuindo a taxa de abstenção de 33,68% para 27,22%. Em 2017 a candidatura PS de Margarida Belém teve apenas menos 28 votos que a candidatura do PS de 2013. Comparadas as percentagens do PS deste ano com as das primeiras vitórias de Artur Neves e de Armando Zola verifica-se que os 55,2% de 2017 estão bem acima dos 35,1% de 2005 e dos 45,1% de 1993.

Da psicologia colectiva, e em registo de impressões de (da) campanha, pelos olhos de quem nela andou, fica a ideia de que à  medida que o tempo passava cresciam, proporcionalmente, a confiança da coligação PSD/CDS na conquista da presidência da Câmara Municipal de Arouca e o calafrio que essa possibilidade causava na candidatura do PS, sentimentos estes que se pressentiam, também, nos contactos com o povo.

Num certo sentido, e com as certezas que nos proporcionam os prognósticos de fim de jogo, pode-se concluir que, à  medida que ganhava força no eleitor a percepção que o PSD/CDS poderia chegar à presidência da Câmara Municipal de Arouca consolidava-se no seu í­ntimo uma vontade indómita de não o permitir.

Qual terá sido, afinal, a chave da escolha popular?

– As Propostas? Pode ser!

– O Plano Integrado de Sustentabilidade? Pois claro!

– A Presidente que querí­amos? Dirão uns!

– O Presidente que não queríamos? Dirão outros!

Agora que o povo escolheu, louvor à vencedora e honra ao(s) vencido(s)!

Quanto ao futuro: que Presidente teremos?

A Margarida Belém Candidata da pergunta capciosa, de tique fidalgo, da sua Spin doctor, no debate sobre o Património, transmitido pela Rádio Regional de Arouca, ou a Margarida Belém Presidente da demonstração de saber ganhar do seu discurso de vitória?

O tempo o dirá! Presidências à parte, o que realmente importa é que os eleitos trabalhem e, principalmente, os arouquenses não se demitam da participação cívica – nas associações, nos meios de comunicação social locais, nos órgãos autárquicos enquanto munícipes, na rua, contribuindo com a sua proposta e com a sua crítica. É a síntese do ponto com o contraponto que faz andar a vida e a história.

Francisco Gonçalves

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