OPINIÃO | Adeus. Sem respostas. Com muitas perguntas

Sempre tive grandes dúvidas sobre a pertinência de ter um espaço de opinião. Nunca me pareceu que a minha opinião contasse para o que quer que fosse, e muito menos que merecesse ser (ou fosse, de facto) lida. Nos últimos tempos, as eleições foram animando os fóruns de debate, as redes sociais, os espaços de conversa. Numa altura em que os municípios ganham ainda mais importância (e preponderância) na nossa vida de todos os dias, era importante falarmos sobre o assunto. Entretanto, sem que se perceba porquê, Portugal voltou a arder. Quando parecia que não havia mais nada para consumir, o fogo voltou a ganhar dimensões catastróficas, e a lançar ainda mais interrogações a cada investida. Sem querer responder à  pergunta (que ou não tem resposta, ou tem tantas que não as conseguimos processar todas), é importante que a façamos. Como é possível? Como é que isto pode acontecer? E não, não respondamos. Limitemo-nos a perguntar até à exaustão. Como é possível? Como é que as coisas chegam a esta dimensão? Sim, as matas por limpar, a falta de cuidado, a falta de planeamento, a tal legislação que não ata nem desata, o civismo, o eucalipto, tudo o que quisermos. Mas, no fundo, como é possível? Há alturas na vida em que somos assaltados por questões deste tipo. Aliás, há alturas na vida em que, mais do que encontrar respostas, temos de conseguir fazer as perguntas certas. E estas são as perguntas que me apetece deixar, numa altura em que as tais dúvidas acerca da pertinência deste espaço ganham mais volume.

É aborrecido ter respostas a menos e perguntas a mais. E, para se ter essas respostas, é preciso estar-se dentro. O aborrecimento das perguntas e o estar-se demasiado por fora são motivos de sobra para que se encontre melhor cronista para este espaço. Assim sendo, fica o meu agradecimento ao Discurso Directo pela reserva periódica deste espaço e pela paciência no arranjo destas linhas. Bem como aos que foram tendo a curiosidade de as ler, mais não fosse para se arrependerem. Arouca continuará¡ a surpreender-nos, todos os dias. Basta termos o olhar desperto e a mente aberta. E o filtro da crí­tica oleado. Haverá quem o faça bem. Procuremos.

Ivo Brandão

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