OPINIÃO | Arouca venceu

Foi com estas palavras que Margarida Belém iniciou o seu discurso de vitória para a Câmara Municipal de Arouca. Partilho com ela aqui, como partilhei desde que soube que se iria candidatar ao cargo, a ideia de que o que estava verdadeiramente em causa nestas eleições não era tanto se o concelho se mantinha sob a liderança do Partido Socialista, como acontece desde há 24 anos, ou se ganhava a coligação ‘Somos Arouca’, constituída pelo PSD/CDS, mas o modelo de desenvolvimento que tem sido seguido e que tão bons resultados tem trazido a Arouca, como é reconhecido pela generalidade das pessoas, tanto das que cá vivem, como das que nos visitam.

A Margarida Belém, pela sua visão estratégica, experiência, determinação, capacidade de trabalho e paixão era a única garantia, de entre as candidaturas apresentadas, de que não só o rumo traçado ia ser mantido como tinha capacidade para o concretizar.

E foi isso, ou essencialmente isso, que ela e a sua equipa (e a organização da candidatura, exemplar, registe-se) quiseram transmitir aos cidadãos eleitores na curta campanha eleitoral que foi feita, sem comícios, caravanas ruidosas e arruadas com líderes nacionais, privilegiando, antes, o contacto direto com as pessoas. Campanha feita positiva mas sem triunfalismo, elevada mas não elitista, afetuosa mas não invasiva, ativa e não reativa, sem populismos, promessas e truques, querendo que as pessoas se sentissem agentes do bom momento que Arouca atravessa e que os objetivos chave, os eixos de desenvolvimento e as iniciativas estratégicas traçados no programa eleitoral têm como único fim aumentar o bem-estar de cada um, o que só se consegue com o desenvolvimento global, inteligente, inclusivo, e por isso sustentado, do concelho, apostando equilibradamente em todos os setores de atividade económica, no conhecimento e na promoção externa do território e das suas gentes. Como tem sido feito até aqui.

As pessoas perceberam isso e foram votar em massa, registando-se uma percentagem relativamente baixa de abstenção (27,22%). Deram-lhe a maioria expressiva que os resultados revelam, não só em termos de número de votos como de percentagem (55,20%), o que nunca tinha acontecido numa primeira eleição para presidente de câmara em Arouca.

Mas tão importante como o resultado da votação foi o modo entusiástico e emotivo, preocupado por vezes, como as pessoas a receberam e ao ainda presidente Artur Neves. Era bem visível o orgulho de serem arouquenses, aumentado pela visibilidade a que as políticas locais seguidas têm catapultado Arouca, o reconhecimento pelo trabalho feito e a preocupação de que o rumo não fosse interrompido e o futuro comprometido. Estou certo de que as manifestações de grande apreço e emoção sentidas durante a campanha e no domingo à noite são a melhor recompensa que o Artur Neves podia ter recebido e o maior alento para o trabalho que espera a Margarida Belém.

Mas se a presidente eleita está de parabéns também são devidos os maiores elogios ao presidente ainda em exercício. Artur Neves não só ganhou folgadamente como cabeça de lista para a Assembleia Municipal (cerca de 2.000 votos a mais do que o principal rival) como é o presidente de Câmara que os arouquenses irão recordar por muitos anos, apesar de na política a gratidão não ser qualidade que se pratique e se espere. Ao mesmo tempo que se revelou sempre próximo dos cidadãos e atento aos seus anseios, popular sem ser demagógico, revelou uma rara intuição, uma capacidade de realização invulgar, uma inteligência emotiva e prática ímpares. E a forma como soube dar palco à sua vice-presidente, sem nunca sair de cena, foi exemplar. O futuro de Arouca acima dele.

Dos vencidos falarei na próxima edição. Mas, por agora, o importante é que Arouca voltou a vencer.

Texto de Gomes Ferreira

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