Eleições Autárquicas Arouca 2017: Entrevista a Margarida Belém

A dois dias das eleições autárquicas, o Discurso Directo publica as respostas dos candidatos à Câmara Municipal de Arouca, a um conjunto de questões comuns colocadas pelo nosso jornal. As razões da candidatura, a visão sobre o município e as principais ações do programa eleitoral são algumas das questões respondidas por Margarida Belém (PS), Fernando Mendes (PSD/CDS-PP), Francisco Gonçalves (CDU), José Costa Gomes (PPM) e Victor Brandão (Nós Cidadãos). Fique com a entrevista a Margarida Belém (PS).

Discurso Directo (D.D.): Quais as razões objetivas que a levam a candidatar-se à Presidência da Câmara Municipal?

Margarida Belém (M.B.): Candidato-me para garantir a continuidade no projeto, na visão, no rumo de desenvolvimento de Arouca, o qual começou a ser traçado há 24 anos, com liderança do Dr. Zola e que foi dado continuidade com o presidente Artur Neves. Os frutos dessa estratégia são hoje bem visíveis, nas mais diversas áreas como a educação, o turismo, o emprego, a indústria ou a ação social, com Arouca a assumir-se como um concelho dinâmico e atrativo, e de contas sãs. A nossa taxa de desemprego é reduzida, houve um aumento muito expressivo no poder médio de compra dos arouquenses, e uma melhoria significativa no ranking dos melhores municípios para se viver, no contexto do Entre Douro e Vouga. É este caminho que é imperioso continuar.

D.D.: Que visão crí­tica tem sobre a realidade social, económica e política do município?

M.B.: A nível social, a qualidade de vida dos arouquenses melhorou significativamente e o nosso município dispõe hoje de uma moderna e ampla rede de equipamentos escolares, da primeira infância até à velhice temos uma sólida malha de equipamentos sociais, próxima e com qualidade. Nos cuidados de saúde primários também foram dados passos muitos importantes, o último dos quais é a parceria com o Ministério da Saúde para consultas de saúde oral (dentista) no centro de saúde da vila de Arouca.

Somos também um município que cresceu muito nos últimos anos nos setores ligados ao turismo, é o caso da hotelaria, restauração e animação turística. Crescemos também na vertente industrial, quer em número de empresas e na ocupação das áreas industriais, quer em número de produção. Isto significa maior dinamismo económico, geração de riqueza e reforço da atratividade do território.

A nível político, e fruto da solidez, da visão e dos resultados gerados, o Partido Socialista tem consolidado a sua ação e os arouquenses têm reconhecido o trabalho, renovando a cada ato eleitoral a sua confiança neste projeto, como estou certa que o farão a 1 de outubro.

D.D.: Do Programa Eleitoral que propõe quais as ações que destaca?

M.B.: O reordenamento florestal é um dos nossos desafios. Destaco assim a criação do Via Verde Florestal, que será responsável pela definição da estratégia a seguir, com o intuito de promover o ordenamento florestal e a respetiva dinamização económica. Neste âmbito ainda, e em parceria com os Bombeiros Voluntários de Arouca, estão a ser avaliadas as condições para a criação de uma equipa de intervenção permanente, estando também a ser preparado um pacote de regalias sociais para quem integre os Bombeiros, incentivando o voluntariado.

A nível do desenvolvimento industrial e económico, a ampliação dos parques empresariais, criando mais lotes para as indústrias e gerando mais postos de trabalho, contribuindo para a fixação da população. Prosseguiremos com a estratégia de qualificação dos recursos humanos locais, de forma a que os trabalhadores arouquenses sejam ainda mais competitivos, e serão lançados os programas municipais ‘Geração XXI’ e de estágios. O primeiro visa dotar os nossos jovens com as competências necessárias para responder a um futuro em acelerada mudança, e o segundo proporcionar estágios, de forma concertada e organizada, nas empresas e outras entidades empregadoras, facilitando a aproximação ao mercado de trabalho.

No turismo, a par da consolidação do projeto turismo ativo, onde se inclui os Passadiços, duas ações fundamentais: 1) o relançamento do Mosteiro como âncora do desenvolvimento cultural e turístico, com estruturação de circuito de visita, incluindo o Museu de Arte Sacra e a requalificação da ala sul e cerca do Mosteiro; 2) e a criação de novos espaços museológicos, nomeadamente nos complexos mineiros de Rio de Frades.

Por último, prosseguir com a ampliação da rede de água e saneamento, procurando que o custo associado a este serviço se mantenha controlado e acompanhando de forma próxima todas as situações mais sensíveis.

D.D.: Que ambição transporta consigo para estas eleições?

M.B.: A ambição é a de sempre: continuar a dar o melhor de mim a Arouca, trabalhando de forma empenhada e comprometida para a melhoria da qualidade de vida de todos os arouquenses.

E sendo a primeira mulher a candidatar-me à presidência da Câmara Municipal, estou convicta que a 1 de outubro faremos história. Como disse no meu discurso de candidatura, com o meu exemplo, espero mostrar que a competência não tem género e que o futuro se escreve no feminino também.

D.D.: Consigo que «tipo» de presidência de Câmara teremos?

M.B.: Como disse numa entrevista similar: a minha presidência será¡ como tem sido esta presidência: próxima das pessoas, sensível às necessidades dos mais desfavorecidos, disponível para trabalhar em equipa, atenta às necessidades dos empresários e inovadora no que diz respeito ao desenvolvimento do concelho.

D.D.: O que é para si e para a força política que suporta a sua candidatura um bom resultado?

M.B.: Um bom resultado é garantir que vai ser dada continuidade a este rumo de crescimento, de melhoria sustentada da qualidade de vida dos arouquenses. É garantir que esta “casa” que temos vindo a construir de forma sólida não é destruída. Em suma, um bom resultado é garantir que Arouca e os arouquenses vencem, contra discursos populistas e demagógicos.

D.D.: Que conceção tem sobre as competências que podem e devem ter as juntas de freguesia?

M.B.: As Juntas de Freguesia estão na linha da frente da governação, pela proximidade às populações, pelo conhecimento aprofundado do território. São parceiros fundamentais do Município e com os quais temos trabalhado sempre de forma franca e aberta, contrariamente à ideia que alguns têm tentado passar.

Fruto deste trabalho próximo, conhecemos muito bem as suas forças e as suas dificuldades, pelo que é importante garantir que estão preparadas para assumir a transferência de competências, como as que o Poder Central se prepara para fazer para o Poder Local.

Importa também referir que o muito, ou pouco, trabalho que uma Junta apresente é sobretudo devido à tenacidade e persistência de quem lidera os seus destinos, não é necessariamente uma questão de ter ou não determinadas competências afetas a si.

D.D.: Quais os principais constrangimentos que hoje se colocam ao concelho?

M.B.: Continuarmos a não ter, pese embora todas as diligências efetuadas, acessibilidades condignas de ligação aos concelhos vizinhos e aos grandes eixos rodoviários do litoral.

A escassez de mão-de-obra para responder às necessidades do nosso tecido industrial e empresarial é outro constrangimento importante pois é um entrave ao crescimento e à geração de riqueza.

D.D.: …e os grandes desafios?

M.B.: O reordenamento florestal será, como referi, um dos mais significativos desafios dos próximos quatro anos. Porque é uma área sensível, que interfere com todas as outras, onde a legislação ainda fica aquém do que devia e limita a ação dos municípios.

Outro desafio é a transferência de competências para os municípios. É preciso que Arouca esteja preparada para este processo e seja capaz de negociar com o Poder Central os moldes em que ocorrerá.

É fundamental também manter uma presença forte e dinâmica, de liderança e representação, nos diversos fóruns intermunicipais, como são os casos, por exemplo, da ADRIMAG, da Associação das Terras de Santa Maria, da Área Metropolitana do Porto, da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte, consolidando o papel cada vez relevante que Arouca aí tem assumido. E o mesmo a nível internacional.

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