Eleições Autárquicas Arouca 2017: Entrevista a Francisco Gonçalves

A dois dias das eleições autárquicas, o Discurso Directo publica as respostas dos candidatos à Câmara Municipal de Arouca, a um conjunto de questões comuns colocadas pelo nosso jornal. As razões da candidatura, a visão sobre o município e as principais ações do programa eleitoral são algumas das questões respondidas por Margarida Belém (PS), Fernando Mendes (PSD/CDS-PP), Francisco Gonçalves (CDU), José Costa Gomes (PPM) e Victor Brandão (Nós Cidadãos). Fique com a entrevista a Francisco Gonçalves (CDU).

Discurso Directo (D.D.): Quais as razões objetivas que o levam a candidatar-se à Presidência da Câmara Municipal?

Francisco Gonçalves (F.G.): As razões e o projecto não são pessoais. A CDU entendeu que deveria ser eu o primeiro candidato à Câmara Municipal de Arouca. Aceitei e, por isso, cá estou. As razões da candidatura são as de consolidar o trabalho desenvolvido e possibilitar uma maior diversidade na composição dos órgãos autárquicos.

D.D.: Que visão crítica tem sobre a realidade social, económica e política do município?

F.G.: O grande problema de fundo do município é a sangria demográfica. De 2001 a 2016, a população residente passou de 24.144 para 21.302 (-11,8%), a faixa etária 0-14 anos caiu de 4.414 para 2926 (-33,7%), a faixa etária de maiores de 65 anos aumentou de 3.910 para 4.184 (+7%), os nados vivos caíram de 240 para 168 (-30%) – o pior registo foi em 2014 (153), em 2015 e 2016 houve um pequeno crescimento -, os óbitos passaram de 229 para 200 (-12,7%), o saldo entre nados-vivos e óbitos continua negativo, 168 nascimentos para 200 óbitos, em 2016.

Para combater este problema, a história recente da Europa mostra que é do económico que pode vir a resposta, o crescimento económico e uma melhor distribuição da riqueza permitem fixar os que cá estão e trazer outros para cá viver, particularmente os que estão em idade biológica de ter filhos.

Não sendo matéria da responsabilidade directa da autarquia, as alavancas do crescimento económico – produção, investimento público, política salarial e de pensões – estão noutras mãos. Contudo, pode dar um contributo, exigindo do poder central políticas de coesão territorial, garantindo serviços públicos de proximidade, ordenando o território – florestal, rural e urbano -, estimulando a democratização cultural e desportiva e, principalmente, valorizando e preservando o riquíssimo património que a natureza e os antepassados nos legaram.

A gestão PS, apesar de ter contribuído para uma grande projecção de Arouca e de ter apostado em algumas das áreas acima referidas, vive, contudo, obcecada com o Evento e o Espetáculo, circunscrevendo o desenvolvimento de Arouca ao produto turístico. Simplificando, para o PS – “Arouca é Turismo” – , para nós, CDU, – “Arouca também é Turismo”.

D.D.: Do Programa Eleitoral que propõe quais as ações que destaca?

F.G.: Partimos da ideia que Arouca vale pelo que tem de diferente das outras terras. É nessa diferença, na valorização do património (natural, edificado ou imaterial), que nos centramos.

Por isso apontamos o ordenamento florestal, a valorização dos rios, a preservação do património histórico-natural, a promoção dos produtos da terra, o estímulo ao associativismo e a garantia de serviços públicos de proximidade como matérias centrais. Uma delas, o ordenamento florestal, até porque, no terreno, nada foi feito desde o grande incêndio de 2016, merece especial atenção.

Urge identificar zonas prioritárias de intervenção que contemplem a plantação de carvalhos, sobreiros, castanheiros, a contenção da expansão desmesurada do eucalipto, a limpeza e manutenção das faixas laterais da rede viária primária e secundária, dos aceiros e dos corta-fogos, o apoio à pastorícia, à apicultura e à pequena agricultura. Isto implica a captação de todos os fundos disponíveis, a autarquia dar o exemplo onde é proprietária florestal, a congregar vontades e a disponibilizar apoio técnico aos pequenos proprietários e às associações do sector.

Uma vez que estamos na Feira das Colheitas, uma breve nota. É fundamental recuperar a sua marca original – promoção da produção local (a raça arouquesa, o cabrito da gralheira, a fruta, a castanha, o mel…). Ano após ano temos assistido ao esboroar das Colheitas. Tem ficado a Feira. Ora, Feira há em todo o lado.

D.D.: Que ambição transporta consigo para estas eleições?

F.G.: Para a CDU a ambição é a de, à semelhança do que vem sendo feito na Assembleia da República (descida da taxa máxima de IMI, gratuitidade dos manuais escolares do 1º ciclo e aumentos do salário mínimo e das pensões) contribuir para a identificação, o debate e a resolução dos problemas que se colocam aos Arouquenses.

D.D.: Consigo que «tipo» de presidência de Câmara teremos?

F.G.: Na CDU, independentemente da situação – em maioria, em minoria ou na oposição -, o “tipo” de trabalho é igual – trabalhar com todos, dando o nosso contributo na resolução dos problemas, respeitando assim a natureza do Poder Local Democrático.

D.D.: O que é para si e para a força política que suporta a sua candidatura um bom resultado?

F.G.: O objectivo da CDU é aumentar a votação, em percentagem e em votos, e eleger autarcas. Eu diria que não seria um bom resultado não eleger nenhum autarca. O povo decidirá. Contudo, qualquer que seja o resultado, no dia 2 de Outubro a luta (e a vida) continua(m).

D.D.: Que conceção tem sobre as competências que podem e devem ter as juntas de freguesia?

F.G.: As competências das Juntas de Freguesia devem, dentro do quadro legal, ser alvo de um protocolo de transferência, por quatro anos, acordado entre a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia, transferência essa que deve ir o mais longe possível, ou não fossem as Juntas de Freguesia o elo mais próximo dos cidadãos.

D.D.: Quais os principais constrangimentos que hoje se colocam ao concelho?

F.G.: O definhamento demográfico e a inexistência de investimento público nacional.

D.D.: e os grandes desafios?

F.G.: Valorizar e preservar o património que herdámos, no desígnio de sermos capazes de o deixar aos vindouros.

Contribuir para a melhoria das condições de vida das gentes de Arouca, vivam eles do comércio com os que nos visitam, do seu trabalho e/ou negócio em Arouca ou do trabalho nos concelhos vizinhos.

Pugnar pela retoma do investimento público nacional, instrumento essencial à resolução de alguns dos bloqueios, do ordenamento florestal ao fornecimento de água e saneamento básico … até à , tristemente, sempre eterna, Variante.

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