Pedrógão Grande

As alterações climáticas são uma realidade que vão acompanhando os noticiários em todo o mundo, principalmente devido aos alertas que vêm sendo dados pelas mudanças verificadas no nosso planeta. Recentemente, Donald Trump foi notí­cia por ter “rasgado” o acordo de Paris, assinado em 2015 aquando da Cimeira do Clima, acordo esse que tem sido encarado como um passo importante por se ter conseguido um compromisso das grandes potências mundiais. Lembro, a propósito, que o referido acordo se baseia em sete pontos principais: limitar o aumento da temperatura, reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, fomentar que se faça uma revisão de metas ambientais até 2020 com posteriores avaliações a cada 5 anos, transparência na informação fornecida, financiamento, um acordo universal mas diferenciado e, por fim, um acordo vinculativo.

De facto, mais do que ouvir os noticiários que nos vão lembrando da anormalidade das temperaturas que foram atingidas durante este mês de Junho, basta falar com as pessoas mais idosas para nos apercebermos desse facto. Mais ainda, neste mês assistimos à maior tragédia dos últimos anos com o incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, envolvendo ainda Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra e Góis. São mais de meia centena de vítimas mortais e para lá de 150 feridos, incluindo bombeiros que heroicamente se fizeram ao combate das chamas com a ajuda de países vizinhos que se disponibilizaram para o efeito.

De igual modo, todo este horror nos traz à memória o recente incêndio que atacou a nossa floresta e cercou a nossa bela vila no verão passado. Com ele, volta ao debate a proteção da floresta, os planos de ação, a falta dos guardas florestais, a limpeza das matas, enfim… Diria que, definitivamente, para além de ouvir os especialistas das florestas no que toca a efetivar o muito que se discute e se concluiu, para além de dar mais e melhores condições aos Bombeiros, nomeadamente aqueles que conhecem efetivamente o terreno, se deveria, como dizia, desde há muito tempo, adotar e fazer adotar medidas efetivas de planeamento da floresta e de prevenção de incêndios. Mesmo que algumas dessas medidas não sejam de imediato agrado popular… Num curto/médio prazo passá-lo-ão a ser…

Todo o paí­s ficou de luto perante o sucedido. Os números são demasiado cruéis e a esta altura já não podemos escudar-nos na “mão criminosa”. Desta vez foram condições excecionais que ditaram esta calamidade, o que torna mais visí­vel do que nunca os problemas que teimam em persistir no que às definições de polí­ticas ambientais e de ordenamento do território diz respeito, como já referi. Quando muito se fala nas consequências e no apuramento de responsabilidades que vão surgir no seguimento desta calamidade, temos de ter em mente que o Verão ainda agora começou. Não foi há muito que os incêndios assolaram o paí­s. Diria que todos os anos a história se repete! Nós em Arouca sabemos disso! Que as propostas que surgiram após o que aconteceu no verão passado saiam definitivamente da gaveta, que se executem!

Em Arouca realizaram-se dois interessantes e pertinentes colóquios – um pela estrutura diretiva local do PSD e outro da iniciativa conjunta da Associação Círculo Cultura e Democracia e Câmara Municipal de Arouca – que visaram uma reflexão profunda sobre o assunto. Nesses eventos discutiram-se diversos pontos de vista e concluiu-se pela urgência de uma correta definição de medidas que podiam e deviam ser adoptadas pelos diversos atores locais para conseguir dar uma melhor resposta aos problemas com que fomos confrontados o verão passado.

Artur Miler

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