“Escrever é uma forma de fugir da realidade das pessoas”

Entrevista a Daniela Costa, que acabou de publicar o seu primeiro livro,

Com apenas 18 anos, Daniela Costa, natural de Sandiães, Vale de Cambra, tem já um livro publicado. Apesar do gosto pela leitura e pela escrita, tudo surgiu de forma inesperada depois do pedido de ajuda de colegas de escola para escrever um guião. Daniela aceitou o desafio e, sete meses depois, o livro “Vamos ter netos” estará à venda em vários locais do país. O Discurso Directo esteve à conversa com a jovem escritora que, além de nos falar sobre o gosto pela escrita, falou sobre projetos e livros futuros.

A apresentação do livro decorreu no passado dia 24 de junho, no Chiado Café Literário, no Porto, e contou com a presença de Bernardo Quaresma, orador convidado. Segundo a autora, “Vamos ter netos”, construída com uma estrutura de guião e com algum teor dramático, “é uma história que retrata a vida de dois adolescentes. Estes vivem de forma intensa, amam e por vezes agem impulsivamente. Sem grande opção escolhem entregar as suas vidas ao futuro e a este amor”.

Durante o mês de julho, Daniela Costa fará também a apresentação do livro em Vale de Cambra, de onde é natural, para as pessoas que não puderam deslocar-se ao Porto.

Fique a conhecer um pouco mais sobre a escritora valecambrense.

Discurso Directo: Como surgiu o gosto pela escrita?

Daniela Costa: Surgiu tudo naturalmente e muito rápido. Sempre gostei muito de escrever, é uma forma de fugir da realidade das pessoas. Penso que é uma forma bonita de as pessoas comunicarem e acho que me consigo tornar mais expressiva a escrever.

DD.: Suponho que também gostes muito de ler. Qual é o teu livro favorito?

DC.: O Monge que vendeu o Ferrari. É um livro espiritual que me ajudou imenso a crescer.

DD.: E escritor favorito?

DC.: Eu acho que a minha escrita é bastante semelhante à da Sophia de Mello Breyner. Temos temáticas muito parecidas e pontos de vista de vida semelhantes.

Acho que tenho uma linguagem muito fluente e coloquial, gosto de colocar o meu ponto de vista e a minha reflexão e acho que isso se vai manter em todos os livros que vier a escrever. Penso que isso me distingue de outros escritores.

DD.: Tens alguma rotina de escrita?

DC.: Costumo escrever algumas notas diariamente, mas quando vou escrever algo mais sério escrevo sempre ao som de música, acho que é a música que me influencia e me inspira.

DD.: Fala-nos um pouco do teu primeiro livro “Vamos ter netos”. Qual é a história?

DC.: O meu livro retrata a história de dois adolescentes que se apaixonam e, devido à faixa etária deles, e também à falta de maturidade, não estão preparados para este amor inicialmente, nem estão preparados para a vida. Vão tendo alguns problemas e entram por caminhos errados. Ela segue a vida dela, ele tem vários problemas pelo caminho mas consegue endireitar-se e, durante o período em que se separaram nota-se bastante o crescimento deles e as novas opções que fizeram, acertadas desta vez.

DD.: O que te levou a escrever essa história? Qual foi a inspiração?

DC.: Tudo surgiu de um pedido de ajuda de uns colegas de multimédia que queriam fazer uma curta metragem. Eles descobriram que eu escrevia e pediram a minha ajuda para fazer o guião. Só me disseram que o tema tinha de ser algo a criticar a sociedade, mas nada cliché. E a partir daí escrevi o livro.

Escrevi em dois dias, num fim de semana, quando estou inspirada tenho de escrever logo.

DD.: E o título “Vamos ter netos” como surgiu?

DC.: Eu acho que a história que eu escrevi tem alguns pontos parecidos com uma que eu vivi, e se eu dissesse “Vamos ter filhos” penso que seria um futuro muito próximo, assim subentende-se que as pessoas ficam juntas durante mais tempo, é algo mais duradouro. Acho que fez sentido naquela altura.

Penso que as pessoas compram muitos livros por causa do título e acho que este título é apelativo e incógnito.

DD.: Houve algum obstáculo para conseguires publicar o livro? É um processo muito complicado?

DC.: O único obstáculo é o facto de eu ser muito tímida, estava com medo que as pessoas não gostassem. Mas depois pensei que só vivemos uma vez e não poderia estar com tantas incertezas, tinha de agarrar a oportunidade. Se eu gosto disto, tenho de fazer, não posso estar a negar o que gosto por medo.

Estive então à procura de várias editoras e a Chiado foi a que eu achei que se identificava mais comigo. Felizmente eles gostaram do livro.

DD.: A família e os amigos o que acharam dessa decisão? Apoiaram sempre?

DC.: Foi uma história engraçada porque eu não contei a ninguém que tinha enviado o livro à editora. Estava um dia em casa e recebi um email, mas como eles disseram que só davam uma resposta passado duas semanas e eu recebi uma semana antes, pensei que era um não garantido e nem vi.

Passado uma semana fui abrir o email e eles queriam publicar o meu livro. Contei primeiro à minha mãe, depois ela foi logo contar à minha tia, à minha avó, contei aos meus irmãos também.

Eles sempre souberam que eu gostava de escrever e sempre me apoiaram, mas nunca pensaram que viria a ser uma coisa mais profissional.

DD.: No passado dia 24 de junho foi a apresentação do livro. Como foi esse momento?

DC.: Estava um pouco nervosa porque sou tímida e tinha mais de 100 pessoas à minha frente, mas com a ajuda do Bernardo Quaresma (orador convidado) que era muito divertido, correu tudo bem e consegui falar. Acho que as pessoas gostaram e perceberam a mensagem que eu queria passar. Foi uma experiência ótima, já me perguntam quando vem o segundo volume.

DD.: Pensas então escrever mais livros?

DC.: Eu estou sempre a pensar em escrever qualquer coisa, sejam livros, crónicas, notas, é a minha forma de exprimir.

DD.: Vais entrar agora na faculdade, pensas em tirar algum curso relacionado com a escrita?

DC.: Por incrível que pareça não. Eu acho que todos os caminhos vão dar à escrita porque é uma coisa que eu gosto, mas estou a pensar tirar Gestão de Recursos Humanos porque engloba tudo o que eu mais gosto. Eu gosto de falar com pessoas para ajudá-las, adoro ajudar pessoas, e acho que nesse curso poderia fazê-lo. Posso também estar em movimento e não estar sempre ao computador, o que também me agrada.

DD.: Onde é que as pessoas podem encontrar o teu livro?

DC.: Neste momento estão à venda no Café Literário do Chiado em Lisboa e no Porto e no site oficial da Chiado Editora. Estamos agora à espera da disponibilidade das plataformas comerciais, ou seja, dos supermercados e livrarias.

DD.: Qual seria o título do livro da tua vida?

DC.: Nunca tinha pensado nisso, é uma pergunta interessante. Acho que ia ser um título parecido com o do meu livro, talvez “Vamos ser felizes”, todas as pessoas juntas, unidas, em harmonia. Acho que é bom nós conseguirmos ligar-nos aos outros sem estarmos dependentes deles.

Entrevista de Andreia Borges

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