Arouca 2017

As eleições autárquicas que se realizam a 1 de Outubro deste ano começam, cada vez mais, a ganhar forma com as várias candidaturas anunciadas em todo o país e com a definição clara de quais os protagonistas que as vão disputar.

Na Câmara Municipal do Porto, município sede da área metropolitana a que Arouca pertence, aconteceu o verdadeiro “caso” que veio animar uma campanha autárquica que permanecia muito fria, em que a própria comunicação social não conseguia encontrar aquele motivo de interesse que promove o mediatismo das eleições autárquicas, que acabam sempre por estar dependentes dos grandes palcos como o são Lisboa e o Porto. Rui Moreira, candidato independente e vencedor das últimas eleições, resolveu cometer a “afronta” de dispensar o apoio do Partido Socialista, partido esse que serviu de parceiro para a governação da autarquia nos últimos anos. Uma disputa que todos consideravam como amorfa, menosprezando inclusivamente a candidatura do Dr. Álvaro Almeida pelo PSD, acabou, de um momento para o outro, por ser o principal foco mediático, ainda para mais com uma campanha autárquica em Lisboa que não dá mostras de querer efetivamente arrancar.

Arouca, à sua medida, que não é pequena em termos distritais e metropolitanos, também entrou neste foco mediático pois, finalmente, o Partido Socialista deixou de fazer campanha apenas e exclusivamente através da Câmara Municipal e resolveu efetivar aquilo que há muito se comentava e se vislumbrava em surdina. O que se saúda! Mais ainda, resolveu definir de uma vez o seu calendário de eventos até ao final do período oficial de campanha, mais propriamente no que se refere com as diversas apresentações dos seus candidatos.

No que respeita ao PSD, verifica-se uma estratégia ponderada, que se baseia em dar a conhecer aos eleitores as caras com que se apresentam ao sufrágio eleitoral no que diz respeito ao elenco executivo, nomeadamente dando espaço para a afirmação de Vítor Carvalho enquanto nº2 da lista encabeçada por Fernando Mendes.

Melhor ainda para o eleitor arouquense foi ver concretizado, definitivamente, o acordo de coligação entre o PSD e o CDS-PP o qual formaliza os diversos contactos e sinais que ambas as estruturas vinham evidenciando no sentido de unirem forças para conseguirem uma vitória eleitoral a 1 de Outubro, reeditando uma coligação que não se verificava desde 2005. Tal atitude é publicamente reveladora do espírito de compromisso das lideranças concelhias dos dois partidos numa forte aposta nesta candidatura.

Faltará apenas conhecer o candidato da CDU no município, partindo sempre do principio que teremos apenas candidaturas dos chamados partidos tradicionais. Mas, como no município do Porto, creio que o eleitor poderá ainda estar à espera de uma surpresa de última hora que anime e possa espicaçar um pouco esta pré-campanha eleitoral.

Por agora, esperemos que os programas eleitorais surjam. Afinal, não creio que, até no caso da candidatura socialista, se baseie apenas e só em fazer crer ao eleitor que tem de continuar por ter de continuar, que Margarida Belém e Artur Neves são a mesma pessoa e que se perceba que as alternâncias, com novas pessoas e ideias, também são importantes e fazem bem à democracia.

Artur Miler

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