Valores de Abril

Nos tempos que se vivem atualmente, com as importantes eleições francesas a concederem a vitória na 1ª volta ao candidato Emmanuel Macron, que irá disputar agora com Marine Le Pen a 2ª volta das presidenciais, percebe-se que estamos perante novas mudanças que há muito vinham sendo anunciadas. Assim, numa disputa inédita e surpreendente, um candidato que lidera um movimento apartidário enfrenta a candidata da Frente Nacional e são, por isso mesmo, os protagonistas deste novo paradigma político francês.

São muitos os fóruns, os grupos de debate, universidades a discutir, a tentar perceber estes novos tempos que nos vão mostrando um eleitorado que vota em ideologias até há pouco tempo inimagináveis. São vários os exemplos de sucessivos atos eleitorais reveladores da forma como os eleitorados abordam hoje em dia o contexto político que se vive no mundo.

Por cá, as comemorações do 25 de Abril ocorreram, mais uma vez, por todo o país, com o epicentro em Lisboa, na Assembleia da Republica. E é precisamente este acontecimento que nos mostra a importância daquele momento para o país, dessa conquista da liberdade e de como ainda, através de pessoas que o vivenciaram, nos transmitem e exultam o sucedido naquele dia e o que foi alcançado, em contraste com as novas gerações que enfrentam novas realidades e mudanças de paradigma, pugnando também por esses mesmos valores de Abril.

E a implementação do poder local foi uma das maiores conquistas do Portugal democrático. Tendo em consideração o fenómeno associado às recentes mudanças que ocorreram em toda a Europa, não só nos governos, mas também nas autarquias, constatamos que no nosso país, especialmente nos municípios mais pequenos, ainda se verifica a tendência da consolidação de algum eleitorado que vota nos candidatos dos partidos tradicionais.

As novas gerações serão importantes no sentido de conseguir trazer para os seus municípios os novos tempos que se vivem, debatendo-os, para que se consigam posicionar perante o mundo mas, simultaneamente, preservando, de igual forma, valores importantes da democracia, como a implementação de muitas conquistas sociais e culturais que fazem parte do nosso dia-a-dia.

Creio que Arouca será sempre um exemplo desta comunhão entre todas as gerações. Os jovens arouquenses interessam-se pela sua terra e pelas suas gentes, pela imensa mole de arouquenses que se envolvem genuinamente em projetos, de que não há melhor exemplo o que se constata no movimento associativo local. E, certamente também que, nas eleições autárquicas que se avizinham, serão mais uma vez fundamentais na definição de uma gestão local de excelência, para bem de todos.

Artur Miller

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