O Fator Europeu

É sabido, pois já muitos agentes desportivos e alguma imprensa têm alertado para a posição de Portugal no ranking da UEFA, que o nosso campeonato deixará de poder ter três equipas na Liga dos Campeões de 2018/2019 e, consequentemente, verá reduzido para cinco o número de participantes nas provas europeias, em função do desempenho europeu das equipas portuguesas. No início de época, foi bastante veiculado o perigo latente de ocorrer este revés, pese embora o brilharete da nossa seleção no Europeu, ao sagrar-se campeã. Além disso, no âmbito da semana da final four da Taça da Liga, esse tema foi mais uma vez recordado, sobretudo pela sugestão na altura levantada por Jorge Jesus sobre o facto do vencedor dessa competição ter o aliciante de, como prémio, para além do troféu, a presença numa competição europeia.

As equipas portuguesas têm tido participações honrosas, com futebol agradável e aprazível mas, em boa verdade, fora os “três grandes”, infelizmente apenas o Sporting de Braga vem conseguindo uma presença europeia assídua, permitindo-lhe, assim, ser encarado de uma forma diferente pelos adversários e adquirindo, desta feita, um estatuto e uma mentalidade capaz de conseguir continuar a ajudar o nosso país a permanecer nos lugares cimeiros do ranking da UEFA. O FC Arouca é o mais recente exemplo da dificuldade dos clubes portugueses sem experiência europeia que acabam por ver a sua prestação no campeonato quebrar um pouco após um retumbante sucesso na época anterior, premiado com uma estreia europeia que encheu os seus adeptos de um grande orgulho pelo brilharete alcançado. E este ano, apesar da recuperação já conseguida até aqui, iniciou-o de forma titubeante. O próprio Rio Ave teve uma eliminatória em que claramente mereceu passar mas não teve a sorte que muitas vezes é preciso aliar à competência, naqueles momentos decisivos em que o pormenor e a experiência fazem toda a diferença.

O Fator europeu pesa, como pesou há alguns anos ao Paços de Ferreira quando conseguiu, na altura, uma inédita presença no play-off de acesso à Liga dos Campeões. É vital para Portugal continuar a usufruir de cinco equipas com acesso às provas europeias e dotar novos clubes, como o FC Arouca, com nova oportunidade de ganharem mais experiência e com o intuito de se construir, definitivamente, mais um núcleo de equipas com potencial e calibre para cimentar a posição de Portugal no ranking da UEFA.

Após a saída de Lito Vidigal, apesar de tudo esperada desde o inicio da presente época pelo sucesso conseguido, após uma passagem fugaz mas infeliz de Manuel Machado, a nomeação de Jorge Leitão encheu todos os adeptos arouquenses de uma nova esperança, de uma grande satisfação e com a convicção e o crer nas capacidades deste, podemos chamar-lhe, “filho adoptivo” que nos vai voltar a colocar, tenho a certeza, na rota do sucesso onde o nosso FC Arouca merece estar.

Artur Miler

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