Mesa saudável, desporto e saúde

Portugal é já o 2º país europeu com maior taxa de sobre peso e obesidade infantil. Para além dos factores genéticos, factores comportamentais estão na causa destes números. É importante começarmos a mudar a mentalidade e hábitos tidos em família a fim de alterarmos esta tendência preocupante que acontece no nosso país. Crianças obesas serão futuros adultos doentes, e, muito provavelmente, será a 1ª vez na nossa história em que as gerações futuras terão uma esperança média de vida inferior à dos seus pais. É normal, as crianças torcerem o nariz aos verdes, às saladas, às sopas, aos legumes cozidos, à fruta fresca mesmo antes de experimentarem. Os pais, por sua vez, estão muito mais informados e despertos para os problemas da alimentação, mas perdem a paciência ao fim de algumas tentativas e desistem. O estilo de vida e a falta de tempo das famílias não lhe dão espaço para a educação alimentar e para a persistência que os mais novos precisam, e, assim não lhe é proporcionada a melhor e mais saudável opção. É de extrema importância, que as crianças possam beneficiar de uma alimentação equilibrada e diversificada. O comportamento alimentar da criança vai ser sempre consequência do que lhe é proporcionado pela família.

O sedentarismo é outro dos factores que contribuem para a obesidade infantil. As nossas crianças, de uma maneira geral, movimentam-se muito pouco: deixaram de brincar na rua ou nos jardins; fazem as viagens em transportes familiares, escolares ou públicos; e passam muitas horas sentados nos bancos da escola, muitas horas ao computador e em frente à televisão. A acrescentar a tudo isto, excluindo honrosas e raras excepções, o desporto escolar em Portugal é pobre e pouco considerado. Habitualmente resume-se à disciplina de Educação Física que representa 2 ou 3 horas de actividade física semanal, a que poderão acrescer actividades extracurriculares. Enquanto todos os estudos científicos apontam para os benefícios da prática desportiva diária, em Portugal promove-se a prática da actividade desportiva apenas duas vezes por semana. A mensagem que estamos a transmitir às nossas crianças e adolescentes é de que o desporto deve ser um breve apontamento durante a sua semana. Se durante a fase da vida em que mais disponibilidade têm, praticam actividade física com esta frequência, o mais provável, é que a deixem de praticar durante a atarefada vida adulta. Deveríamos, pois, transmitir a ideia, que a prática diária de actividade física integra um estilo de vida saudável. Desta forma teríamos, sem dúvida alguma, crianças mais saudáveis física e psicologicamente, e, provavelmente, adultos menos doentes nas décadas vindouras. Penso que não podemos ter a expectativa de que uma geração de pais sedentários venha a educar uma geração de jovens fisicamente activos. É, pois, neste ponto que a escola deve intervir.

Rosa Morais

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