O presidente que queremos

Não tarda, vamos ser chamados a colocar as cruzes nos boletins de voto. A esta distância, parece muito tempo. Não é, de facto. De forma mais ou menos conhecida, as espingardas vão sendo contadas, as fileiras reveladas, as tendências transformadas em evidências. Em breve, começará uma espécie de dança, em que nós vamos estar convencidos de que os políticos têm de nos convencer e em que os políticos vão estar convencidos de que têm de vir ao encontro do que pretendemos.

De uma maneira ou de outra, a bola está sempre do nosso lado. Somos nós que desenhamos a tendência, que temos os problemas para serem resolvidos, que podemos ter os projectos para concretizar. E, mais do que possamos pensar, temos bem presente o que queremos e o que não queremos.

Hoje, ser presidente de Câmara não é o mesmo que há quarenta anos. As estruturas autárquicas foram ganhando competências, responsabilidades de gestão, capacidade de decisão, possibilidades de investimento. É por isso que não podemos querer um presidente de Câmara que não nos diga como quer Arouca daqui a dez, vinte, quarenta anos. Não podemos querer um presidente de Câmara que não esteja preparado para gerir, para negociar, para estudar a fundo os temas. Não podemos querer um presidente de Câmara que não tenha uma visão holística e integrada do Município, e que conheça bem as dinâmicas pública e privada, e de como podem e devem interligar-se. Não podemos querer um presidente de Câmara que se concentre num único vector de desenvolvimento, ou que fique agarrado a um qualquer filão de retorno, seja ele mediático, económico ou de simples reconhecimento.

O presidente de Câmara que vamos ser chamados a escolher vai ter de conseguir estar perto o suficiente para nos resolver o problema ao pé da porta e longe o suficiente para defender os nossos interesses em fóruns como a Área Metropolitana, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, os Ministérios e Secretarias de Estado. Esse nosso presidente tem de ser o mais profundo conhecedor da nossa terra, das suas dinâmicas, virtudes e defeitos, conquistas e anseios. E, sobretudo, tem de ser portador de uma visão alargada, no horizonte e no tempo, o suficiente para ver tudo o que há para ver e para projectar o futuro a um prazo suficientemente longo para caminharmos num passo cadenciado para o desenvolvimento que queremos, sem andar aos ziguezagues e sem perdas de tempo, dinheiro e energia.

É, em suma, isto que queremos. É, em suma, isto que vamos ser chamados a escolher. Sem enganos. Depois dos foguetes da Feira das Colheitas.

Ivo Brandão

Este texto foi escrito seguindo a antiga ortografia.

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