O ano de 2017 no contexto político

A grandeza de uma profissão consiste, talvez, acima de tudo em unir os homens; só há uma verdadeira riqueza: a das relações humanas. Ser homem é justamente ser responsável. É conhecer a vergonha perante uma miséria que não parecia depender de si. É orgulhar-se de uma vitória que os camaradas alcançaram. É sentir, ao assentar a sua pedra, que se contribui para construir o mundo.” Antoine de Saint-Exupéry

Este ano de 2017 começou e continuará a ser muito interessante e determinante a nível político. Primeiro, tomada de posse do 45º presidente dos EUA, Donald Trump. Ninguém duvida da importância dos EUA no contexto internacional a todos os níveis, aumentando a curiosidade e a expetativa depois da eleição do atual presidente. Foi muito polémica a sua campanha e surpreendente a sua eleição porque lutou e continua a fazer frente, por exemplo, à comunicação social. Está a desenvolver-se um ódio contra si. Pessoalmente prefiro esperar para ver aquilo que ele vai fazer.

Estou convicto de que o leitor atento já alguma vez perguntou o que é a política; como se define e quem a protagoniza; se se pode pensar a política sem ética; se tem lugar para a esperança e para o amor… De que falamos quando dizemos a palavra “política”?

Etimológica e concetualmente, a palavra política encontra as suas raízes na Grécia Antiga. Deriva da palavra grega “polis”, que quer dizer cidade, podendo ser traduzida por “condição daquele que vive em sociedade”. No contexto dessa cultura clássica, a palavra “cidade” não designa tanto uma oposição a aldeia, mas sim a cidade enquanto organização estruturada, ou seja, a condição em que os indivíduos se organizam em comunidades estruturadas e conduzida pelo saber daqueles que os lideram, tendo em conta a sua capacidade de discernir e decidir.

Se seguirmos a cultura clássica latina, encontramos etimologicamente para a palavra “cidade” o termo “civitas” da qual derivam os termos “cidadania”, “cidadão”, palavras da família de “cidade”. Assim sendo, “cidadania” e “política” são sinónimas pelo que deveriam expressar a ideia de que todos podemos contribuir para a boa governação – política – e ao mesmo tempo que somos beneficiários cooperantes com essa boa governação – cidadania.

Erradamente, associamos a política apenas aos políticos, entendidos unicamente como profissionais da gestão da “coisa pública”, esquecendo que é uma tarefa que respeita a todos nós.

Segundo momento acontecerá por altura do último trimestre do ano. Teremos as eleições para os órgãos locais, ou seja, para as Assembleias de Freguesia, Assembleias Municipais e Câmaras Municipais.

Será um momento particularmente interessante, pois é uma eleição que vai eleger os governantes que estão mais próximos do povo. Logo, cada cidadão não deve fugir à sua responsabilidade escolhendo os melhores e ser exigente para com eles. As decisões individuais vão condicionar o futuro da sociedade porque a natureza do homem não é intrinsecamente individualista, mas comunitária.

Deve-se estar atento, também, às técnicas de manipulação e de chantagem que tanto vigoram na altura de pré-campanha e no período de campanha.

Não há que ter medo de denunciar o que está mal nem de castigar aqueles que prometeram e não cumpriram, pois vão continuar a não cumprir. Lembre-se que o fundamento e o fim da comunidade política é a construção e o desenvolvimento integral de todos e de cada ser humano.

Carlos Matos

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