O “Brexit” e Donald Trump – Parte II

No passado dia 8 de Novembro, realizaram-se as eleições para a Presidente dos Estados Unidos. À imagem do que aconteceu com o “Brexit” a história repetiu-se, o velho continente voltou a deitar-se serenamente, com uma fé cega relativamente aos resultados dos estudos de opinião realizados nas semanas anteriores, confiando completamente nos prognósticos apresentados pela comunicação social e pelos chamados “opinion makers”.

Acordou o mundo com um resultado muito diferente aquele que as mentes iluminadas previam, venceu Donald Trump. Alcançou 304 votos no colégio eleitoral, contra 227 da Sr.ª Hillary Clinton. Não deixa de ser verdade que a antiga primeira-dama americana teve a confiança de mais 3 milhões de eleitores do que o presidente eleito, mas na verdade o sistema da eleição do Presidente americano suporta-se nos chamados grandes eleitores, ou seja cada estado americano elege delegados em que o candidato mais votado leva todos os delegados desse mesmo estado. Para que um candidato vença necessita de 270 delegados, mesmo que tenha tido menos votos populares do que o outro candidato concorrente, tal como aconteceu na eleição presidencial de 2016.

Confesso que senti um misto de “gozo” e ao mesmo tempo de “choque”, ao ouvir certos colunistas, comentadores e políticos da famosa gerigonça a transmitirem a sua perplexidade pelo facto do candidato com menos votos ter sido eleito presidente dos Estados Unidos. A constituição americana é bem clara relativamente à forma da eleição do Presidente da Americano, no entanto os nossos iluminados intelectuais da esquerda portuguesa fazem sempre a interpretação da democracia da forma que mais lhes convém.

Proclamaram a ilegitimidade da eleição de Trump, esquecendo-se do golpe de estado constitucional que promoveram com a formação do Governo do Partido Socialista que alcançou menos 350 mil votos do que a coligação Portugal à Frente. Mas, para a esquerda não existem limites éticos, morais ou legais que sejam obstáculos aos seus interesses. Na verdade aqueles que se auto proclamam como os paladinos da Democracia, da Liberdade, da Ética e da Moral, só o são se os mesmos valores forem ao encontro dos seus interesses do exercício do poder.

O mundo esta em constante mudança, os eleitores um pouco por todo o mundo aos poucos deixam de permitir a manipulação das empresas de sondagens, dos “opinion makers” e dos meios de comunicação social que se encontram aos serviço dos grandes grupos económicos e dos blocos ideológicos dominantes.

Os “opinion makers” perdem a sua força e a “maioria silenciosa” afirma-se. Aos poucos as pessoas começam a mentalizar-se que o melhor é não fazer prognósticos e contar os votos, pois estes últimos é que contam…

Antes de terminar não poderia deixar de dirigir uma palavra de agradecimento relativamente ao contributo que o antigo Presidente da República, Mário Soares, teve na construção da Democracia, na instauração da liberdade e na adesão de Portugal à Comunidade Europeia. Este foi o seu legado positivo, relativamente aos erros e omissões, caberá ao tempo efetuar o justo julgamento, impedindo que um ser humano seja transformado indevidamente num santo.

Pedro Magalhães

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