Final do ano – Época de Balanços

Chegou Dezembro, o Inverno, o Natal e o Fim do Ano de 2016. O final do ano é a época em que se costuma fazer o balanço do ano que está a findar. O ano de 2016 trouxe surpresas positivas para a comunidade escolar, e, implicitamente para todo o país.

A meio do ano veio a saber-se que o abandono escolar baixou, reduzindo-se para metade do existente, e que as retenções também diminuíram, atingindo os valores mais baixos de sempre, segundo relatórios divulgados na comunicação social.

Já próximo do final do ano, o país foi surpreendido com as excelentes notícias de alguns resultados da educação. Pudera! Não é para menos! Primeiro, o país conheceu os resultados do TIMSS, (Trends in International Mathematics and Science Study – avaliação dos alunos do 4º e 8º anos em Matemática e Ciências) em que os alunos do 4º ano brilharam a Matemática, tendo obtido a 13ª posição, entre 49 países, tendo obtido melhor desempenho que os alunos finlandeses (referência em matéria educativa) e registaram a maior progressão de todos os participantes, desde a 1ª edição em 1995. De seguida, os dados do Pisa, avaliação que se realiza de 3 em 3 anos, sendo a maior e mais importante na área da educação, conduzida pela OCDE desde o ano 2000, retratando os jovens com mais de 15 anos dos 35 países seus membros e outros tantos de participantes (no total cerca de 70 países) a Matemática, Ciências e Leitura.

Pois bem! Aqui, nesta avaliação, os alunos portugueses conseguiram os melhores resultados de sempre, ficando acima da média dos alunos pertencentes a países da OCDE, o que se verifica pela 1ª vez. Portugal foi dos poucos países do mundo e o único da União Europeia que melhorou de forma continuada os resultados, passando dos últimos lugares da OCDE em 2000, para classificações acima da média em 2015. Parabéns aos professores, às escolas, aos alunos e aos seus pais! Não deixa de merecer destaque os resultados obtidos que melhoraram significativamente num período de crise, com o país afogado em dívidas, grande percentagem de desemprego, de precariedade, de crianças a passar fome, de cantinas escolares abertas durante as férias para socorrer as mais necessitadas, do alastrar da pobreza, num território já de si pobre, com uma das maiores percentagens de alunos com baixo índice cultural, social e económico e a acrescentar a tudo isto, os pais destes alunos com qualificações académicas bastante inferiores à média da OCDE. Em suma, para um país que tem um défice estrutural de qualificações e de grandes desigualdades, duas grandes debilidades estruturais, estes dados evidenciam que investir na educação faz toda a diferença.

Mas, então a que se deve a melhoria dos resultados obtidos? O Pisa mostra-nos que se deve aos professores, ao seu empenho, dedicação, trabalho, sabedoria, profissionalismo e inovação nas práticas pedagógicas, eficazes na promoção da igualdade de oportunidades; deve-se à escola pública inclusiva, multicultural e garante da promoção da igualdade; deve-se ao alargamento da rede da educação pré-escolar e ao aumento da sua frequência, possibilitando que cada vez mais crianças, independentemente dos recursos familiares, tenham um contacto precoce com os números e com as letras; deve-se à melhoria dos espaços de aprendizagem; deve-se à crescente atenção e apoio dos pais e também ao aumento das suas qualificações; e deve-se ao diálogo com a escola.

E, se até há uns anos atrás, Portugal ficava nas filas traseiras da fotografia, nas últimas edições do Pisa foi-se chegando à frente, até se colocar pela 1ª vez nos lugares cimeiros, pela 1ªvez acima da média da OCDE. Este sucesso assenta em fazer da escola, o lugar da instrução e da educação. É na educação que se deve acreditar. Uma sociedade, que olha com ambição para a educação, prepara-se melhor para o futuro.

Rosa Morais

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