A partilha do conhecimento científico com ADN arouquense

II Jornadas de Ciência de Arouca

Fotos: Carlos Pinho

Seguindo sensivelmente a mesma estrutura organizativa da primeira edição das Jornadas de Ciência de Arouca, decorreu nos dias 16 e 17 de dezembro a sua segunda edição que este ano contou com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Subordinadas ao tema “Ciência, ambiente e sustentabilidade” esta segunda edição, tal como a anterior, teve a organização conjunta do Agrupamento de Escolas de Arouca, da Associação Círculo Cultura e Democracia e da Câmara Municipal de Arouca, tendo ainda a colaboração do Centro de Formação de Associação de Escolas dos concelhos de Arouca, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis, bem como do I3S do Porto (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde), Centro de Engenharia Biológica, da Universidade do Minho, da Academia de Música de Arouca e do Arouca Geopark.

Envolvidos na logística destas jornadas estiveram também diversos alunos dos Cursos Profissionais de Restauração, Turismo e Multimédia a decorrerem na Escola Secundária de Arouca, no presente ano letivo.

Através de diversos painéis, que tiveram lugar no auditório da Loja Interativa de Turismo, foram apresentadas vários projectos de investigação científica levados a efeito por antigos alunos da Escola Secundária de Arouca, não só em instituições académicas nacionais, como também em estabelecimentos de ensino superior espalhados pelo mundo.

Investigadores arouquenses no mundo

Na sessão de abertura das II Jornadas de ciência de Arouca estiveram presentes a directora do Agrupamento de Escolas de Arouca, Adília Cruz, a vice-presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, António Costa pela Associação Círculo Cultura e Democracia e José Rosa, pelo Centro de Formação AVCOA.

Considerando que as Jornadas de Ciência de Arouca são já “uma marca a prosseguir”, Margarida Belém afirmou que Arouca é um território propício para o desenvolvimento do conhecimento científico e destacou o papel que o Arouca Geopark tem vindo a desempenhar nesse sentido, em estreita ligação com as escolas do Concelho, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do território arouquense.

Após a abertura das jornadas deu-se início à apresentação de diversos projectos de investigação científica, ao longo de dois painéis subordinados ao tema “investigadores arouquenses no mundo”.

No primeiro painel moderado por dois investigadores do I3S,Manuel Sobrinho Simões, Presidente da Direção do Ipatimup e Raquel Seruca, do mesmo Instituto, foram apresentados 8 projectos, não apenas no âmbito da biologia, da microbiologia, da medicina e da farmacologia, como também da biologia molecular de plantas, da biologia do envelhecimento fisiológico e da biodiversidade e conservação da natureza.

Estes projetos interdisciplinares, que têm como denominador comum, a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das pessoas, foram apresentados por investigadores arouquenses ligados não só a universidades e instituições nacionais, como também a prestigiadas instituições académicas internacionais.

Foram autores destes projetos de investigação Maria de Fátima Brandão, Rita Brandão Fontes Oliveira, José Filipe Cerca, Sandra Martins Magalhães, Inês Gomes Soares, Sandra Pinho, Ana Marta Pereira e Andreia Dias.

Num segundo painel, a que se juntou como moderador João Sanches, membro da direcção do Instituto de Sistemas e Robótica de Lisboa (ISR), os projectos apresentados situavam-se numa outra área da ciência, nomeadamente da física e da engenharia. Projetos sobre a detecção de radiação gasosa, sobre materiais multifuncionais magnéticos, infraestruturas hidráulicas, contributo do jogo na fisioterapia e no tratamento de doenças neurológicas e ainda sobre o movimento dos corpos segundo a teoria da relatividade geral, constituíram este segundo painel cujos trabalhos de investigação foram apresentados por Carlos Azevedo, Gonçalo Oliveira, Jorge Gonçalves, Tiago Martins e Filipe Costa.

Refira-se que quase todos os investigadores que passaram por estes dois painéis, ao apresentarem o seu percurso académico, não deixaram de referir o importante papel que a Escola Secundária de Arouca representou no estímulo à investigação, chegando mesmo alguns deles a referirem o nome dos professores que os despertaram para a curiosidade científica.

No final de cada um dos painéis teve lugar um interessante momento de debate que foi muito participado e no qual foram colocadas questões muito pertinentes.

Ministro da Educação

Apesar de não poder acompanhar o programa destas Jornadas da Ciência de Arouca, por motivos da sua agenda, o que o impediu mesmo de participar no jantar, a verdade é que a presença de Manuel Heitor, como Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi, não só uma mais-valia prestigiante, como também uma prova do seu apreço por este evento arouquense em prol da divulgação científica.

Partindo do Acordo de Paris 2016, o Ministro introduziu, na sua comunicação, algumas questões relacionadas com o futuro do Planeta, nomeadamente sobre as alterações climáticas e a sustentabilidade de novas fontes energéticas.

Perante a crescente incerteza que o futuro do Planeta nos traz, Manuel Heitor acentuou a importância que o conhecimento desempenha na relação entre Ciência, Ambiente e Sustentabilidade. O conhecimento científico, concluiu o Ministro, é fundamental para nos adaptarmos a novas situações e a novas descobertas.

O dia terminou com um jantar no refeitório da Escola Secundária, todo ele confeccionado e servido por alunos do curso de Hotelaria da Escola Secundária e que foi musicalmente animado com a participação de diversos alunos músicos a frequentarem a Academia de Música de Arouca.

Pretendia a organização destas Jornadas alargar o seu âmbito do conhecimento à astronomia, mas devido às deficientes condições meteorológicas e de visibilidade espacial, tal não foi possível.

Das artes à Ciência

O segundo dia das jornadas iniciou-se com uma comunicação da artista plástica e investigadora Maria Manuela Lopes que apresentou alguns dos seus projetos artísticos e instalações multimédias, muitas delas ligadas à biotecnologia e que se baseiam no estudo experimental das relações das artes com as ciências.

A outra comunicação esteve a cargo da Presidente do projecto “Ciência Viva”, Rosália Vargas. Referindo-se à Escola Secundária de Arouca, como uma “Escola de estrelas” atendendo ao grande número de prémios alcançados no âmbito da ciência, Rosália Vargas passou em revista algumas das muitas iniciativas que o projeto “Ciência Viva” a que preside, foi desenvolvendo por todo o País, ao longo dos 20 anos da sua existência.

Através do ensino experimental da Ciência levada a cabo por este projecto em escolas, museus, centros de ciência e através da ocupação científica de jovens em férias, a este projecto se deve, no dizer do professor Filipe Ressurreição da ESA, “a democratização da Ciência no nosso País”.

Futuros cientistas da Escola Secundária

Após estas duas comunicações que foram moderadas por Júlio Borlido Santos, biólogo e comunicador de Ciência do I3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde) o resto da manhã do segundo dia foi ocupado com a apresentação de vários projectos científicos desenvolvidos por alunos da Escola Secundária nos últimos anos.

Moderado por outro cientista arouquense, Jorge Gonçalves, professor Catedrático da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, e por Nuno Cerca, Investigador Principal no CEB, da Universidade do Minho, por este painel passaram algumas dezenas de alunos do Agrupamento de escolas de Arouca e que apresentaram os projetos em que estão envolvidos.

Um deles, o Anima Film, apresentou alguns dos trabalhos em cinema de animação, realizados por alunos do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas de Arouca, destacando-se entre eles a “vaca aguadeira” que foi projectado para todo o auditório.

Easy foi o segundo projecto apresentado por 3 alunos da Escola Secundária, Cláudia Correia, João Gabriel e João Garcia. Trata-se da criação de um pequeno microscópico portátil e de baixo custo, associado a um simples telemóvel.

Um outro projecto apresentado por uma equipa de alunos da ESA e também ele premiado tem a ver com a detecção de plumas de incêndio a partir do Radar meteorológico de Arouca, situado na serra da Freita.

Neuro Test foi o quarto projecto apresentado por Beatriz Gomes, Mariana Garcia, Matilde Silva e Paulo Castro e também ele detentor de diversos prémios, quer a nível nacional, quer mesmo internacional. Trata-se de uma ferramenta inovadora, com possível aplicação na indústria farmacêutica e no tratamento de doenças neurodegenerativas.

A tarde deste segundo dia foi preenchida com uma visita à Serra da Freita, à qual aderiu um pequeno grupo de participantes. Acompanhada por oportunas explicações geológicas fornecidas por uma técnica do Arouca Geopark, esta visita permitiu, não só contemplar a beleza da frecha da Mijarela, como também admirar a deslumbrante paisagem que se avista do cimo da torre meteorológica. A visita terminou na Casa das pedras parideiras onde foi projectado um filme em 3D sobre este raro fenómeno geológico que constitui um dos 41 geosítios dispersos por todo o Geoparque de Arouca.

Refira-se, finalmente, a elaboração de um dossier, com excelente qualidade gráfica, contendo o percurso académico e científico de todos os intervenientes nestas II Jornadas de Ciência em Arouca, bem como uma relação dos prémios e participações internacionais de numerosos alunos deste Agrupamento de Escolas, desde 2004 a 2016.

Texto de José Cerca

 

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