“O próximo objetivo é ser Campeão Nacional”

Com apenas cinco anos de experiência, Carlos Soares tem dado cartas no ciclismo nacional

Carlos Soares iniciou-se no ciclismo há cerca de cinco anos, por brincadeira com amigos, nunca imaginando chegar ao nível de competição. Atualmente participa em provas nacionais e internacionais, ao lado de atletas de referência. O atleta já subiu ao pódio diversas vezes, e prepara-se para disputar uma das mais importantes provas da sua ainda curta carreira. O Discurso Directo esteve à conversa com Carlos Soares e dá-lhe a conhecer o percurso desportivo, objetivos e expetativas do atleta.

Depois de mais de vinte anos no futebol, um problema de saúde obrigou Carlos Soares a escolher outra modalidade desportiva. Foi aí que recebeu uma bicicleta de presente e, desde então, nunca mais parou. Primeiro por desporto de fim de semana, depois participando em provas como amador, até que chegou o convite para competir como federado. Treina praticamente todos os dias, exceto à terça-feira, somando várias horas semanais. Tem como ídolo o espanhol Alberto Contador, já que aprecia a sua maneira de competir e de alguma forma se “identifica” com ele. Natural de Arouca, Carlos Soares, de 46 anos, prepara-se agora para disputar uma das maiores provas da sua carreira: a Azores MTB World Series Marathon. Esta prova é integrada na Taça Cyclin’ Portugal de Maratonas, constituída por cinco etapas, sendo que a Azores MTB World Series Marathon, que se realiza no próximo dia 2 de outubro, em Ponta Delgada, será a última. Carlos Soares subiu ao pódio nas quatro primeiras etapas e prepara-se para repetir o feito em terras açorianas. Fique com a entrevista completa ao atleta arouquense.

Discurso Directo (D.D.): Sabemos que jogou futebol durante muito anos e depois começou a praticar ciclismo. Como começou a sua carreira desportiva e porquê a mudança de modalidade?

Carlos Soares (C.S.): “Eu sempre joguei futebol, passei por vários clubes como o Arouca, o Milheirós, o Lobão, o Carregosa, o Alvarenga, o Coimbrões, entre outros. Mas, após a última cirurgia ao joelho e visto o futebol não ser o desporto mais indicado resolvi mudar de desporto. Recebi de presente uma bicicleta e foi a partir daí que tudo começou. Primeiro com um grupo de amigos ao fim de semana, depois fui-me inscrevendo em alguns passeios, o vício de andar de bicicleta foi crescendo e cerca de um ano depois tive o convite da Escola de Ciclismo Bruno Neves para ir competir na promoção (amador) – foi o verdadeiro motor de arranque. Passei pelas equipas: Pedalsempre, Galitos, Clube BTT Águeda e atualmente estou no Viseu 2001- BTT 100 Rumo”.

D.D.: Como foi a transição do Futebol para o Ciclismo?

C.S.: “Na altura não foi fácil. Nunca me passou pela cabeça ir para o ciclismo, não era um desporto que gostasse ou que me chamasse a atenção. Foi o facto de andar de bicicleta com os meus amigos e o espírito de competição que me levou a seguir a modalidade a sério. São modalidades muito diferentes, no futebol não é preciso um espírito de sacrifício tão grande como no ciclismo pois é um desporto coletivo, o ciclismo é um desporto mais individual e muito mais exigente física e mentalmente. Se voltasse atrás e pudesse escolher optava pelo ciclismo. Não menosprezando o futebol e as equipas por onde passei. O futebol para mim foi também uma rampa de lançamento no mundo empresarial e onde encontrei pessoas fantásticas (colegas, diretores, treinadores, etc.) que muito me ensinaram e me fizeram crescer e evoluir como pessoa e pelas quais continuo a ter muito apreço”.

D.D.: Quer então dizer que o que antes era um hobby, passou a algo mais profissional…

C.S.: “Sim, agora participo em várias competições. Já passei por várias equipas e atualmente estou no Viseu 2001. Participo em várias provas a nível nacional e internacional, como a taça de Portugal, o Campeonato Nacional de Maratonas e o Campeonato Regional, neste caso o de Viseu, que é onde a minha equipa está inserida. Fora isso vou a provas a Barcelona e ao Algarve, entre outras. Tenho provas quase todos os fins de semana e quando não tenho junto-me ao grupo de amigos para uns passeios e para descomprimir”.

D.D.: Já ganhou muitos prémios…Houve algum assim mais especial?

C.S.: “Acho que o mais especial vai ser este, no dia 2 Outubro, nos Açores se conseguir, claro. Estamos a falar numa Taça de Maratonas que vai decidir quem é o campeão. Tudo indica que ficarei nos três primeiros, só se não conseguir chegar ao fim e completar a prova, mas até acontecer nada é garantido”.

D.D.: Pelo que percebemos a família foi uma grande impulsionadora do seu percurso. O apoio deles é importante?

C.S.: “Eu acho que elas (esposa e filhas) gostam mais disto que eu. Esta modalidade requer muito tempo e isso também interfere com a família. Para quem treina quase todos os dias e com 2 empresas para gerir torna-se complicado conciliar tudo e aí entram muitas vezes os almoços fora de horas, o começar a trabalhar às 6h30 da manhã ou ir depois do jantar e abdicar de muitos outros programas de fim de semana. Nos dias de prova muitas vezes suportam calor, frio, chuva, “seca” como elas dizem. Se não tivesse o apoio da família talvez não andasse no ciclismo.

D.D.: Quais são as principais expetativas para esta época?

C.S: “O objetivo é ganhar esta prova nos Açores e depois tenho mais duas provas do campeonato regional onde estou em primeiro lugar e pretendo manter. Até ao domingo passado estava em primeiro na Taça de Portugal, por uns segundos passei para terceiro numa prova que depois de 100km foi discutida ao sprint, tendo sido os meus adversários mais fortes. Ainda sou um puto no ciclismo, quatro anos de federado é muito pouco. Mas fico satisfeito pois estou a competir com atletas com muitos anos de experiência e que já deram cartas no ciclismo”.

D.D.: Qual é o seu maior objetivo de carreira no ciclismo?

C.S.: “No início da época o meu treinador fez-me essa pergunta. E eu disse-lhe que o meu maior objetivo era ir uma vez ao pódio na Taça de Portugal, porque ainda não o tinha conseguido. Das 5 provas da Taça, fui ao pódio quatro vezes, por isso, o objetivo está mais do que alcançado. O próximo objetivo/sonho é ser campeão nacional”.

D.D.: Antes das provas têm alguns rituais que não dispensa?

C.S.: “Eu tento nunca fugir à regra ou inventar antes de uma prova, porque tudo o que seja inventado naquele dia pode correr mal. Tento sempre chegar o mais cedo possível, aquecer, e estar tranquilo porque já chega o stress que existe antes de uma prova”.

D.D.: No que diz respeito a alimentação e exames médicos, que tipo de cuidados costuma ter?

C.S.: “Tenho os cuidados normais de qualquer praticante de desporto. Claro que há cuidados, não como uma francesinha, um assado, ou um leitão antes das provas mas também temos que comer de acordo com o esforço que se vai ter. Uma alimentação regrada e cuidada e exames de saúde regulares são fundamentais”.

D.D.: Como considera que está o ciclismo em Portugal? Acha que há cada vez menos atletas na modalidade?

C.S.: “Eu acho que é um desporto sem muito destaque, que não é divulgado nem incentivado como deveria ser e não rende dinheiro – esse é o problema. Se rendesse dinheiro como o futebol tinha outra visibilidade. É um desporto que obriga a um grande investimento em equipamento, porque as bicicletas com alguma qualidade são muito caras e a sua manutenção também. É preciso muito esforço a nível financeiro. Penso que a nível de competição estão a haver menos ciclistas e aumentar aqueles que querem a bicicleta apenas para dar uns passeios ou participar em provas sem grandes objetivos. Bicicleta sem stress!”.

D.D.: Tem alguma história caricata de alguma prova ou treino que queira partilhar com os nossos leitores?

C.S.: “Houve uma prova que fiz em Manteigas que achei que tinha corrido mesmo mal, até cheguei à meta a chorar, porque é uma das provas mais duras do campeonato. Fui tomar banho e quando estava para vir embora ouvi “Carlos Soares ficou em primeiro lugar”. Foi uma alegria tremenda, nem acreditava que tinha sido eu”.

D.D.: Pensa abandonar o ciclismo num futuro próximo?

C.S.: “Eu costumo dizer que vou continuar até quando puder. No futebol já teria as botas penduradas há muito tempo. No ciclismo já não é assim, sinto-me bem e quando vejo muitos rapazes novos a ficar atrás de mim penso que ainda estou apto para pedalar durante uns tempos. Não temos o poder de decidir o futuro, mas podemos fazer o programa da festa e criar condições para que ela se realize. Se não acontecer mas se ficarmos com a consciência de que demos o nosso melhor, sentimo-nos realizados. Tudo aquilo que não nos derruba ajuda-nos a crescer”.

Carlos Soares aproveitou também para agradecer aos patrocinadores “Loja da Visão, Câmara Municipal de Arouca, Nodilaca – Anodização e Lacagem; Jomarpor – ferragens e fixação profissional, Fielestor – estores e reparações, Rub&Lar – mobiliário e decoração, FullBike – bicicletas e acessórios, Martins Peixoto – portas e automatismos, Vidraria Sousa – vidros e espelhos, A Oficina–Antonio’s Car, Roda Viva Jornal, Casa do Pão de Ló, Alumisoares- construções em alumínio, Oásis – instituto beleza, 5 Quinas – equipamentos personalizados, Restaurante Varandinha, Suportevidente – contabilidade fiscalidade e Equipa Viseu 2001 | BTT 100 Rumo, pois sem o apoio deles não seria possível competir”.

Entrevista: Andreia Borges

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*