[Versão integral] Victor Brandão em entrevista: o médico, o provedor da Santa Casa e o homem que quer “fazer muito mais por Arouca” sendo Presidente da Câmara

Dedicação absoluta ao povo de Arouca

Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arouca há cerca de 11 anos, Victor  Brandão dedicou grande parte da sua vida ao serviço da medicina na terra que  tanto gosta. Em entrevista ao Discurso Directo falou sobre o seu percurso profi s- sional, sobre o crescimento do sector da saúde em Arouca, sobre o caso de Pedro  Dias, o presumível homicida de Aguiar da Beira, de quem era médico. Sobre uma  candidatura à Presidência da Câmara de Arouca assume que “gostava de o fazer  um dia, pelo PSD de preferência mas, se não for possível, fá-lo-ei em nome do PSD  por outra via”.

Discurso Directo: Como é que descreve o seu percurso profissional e como chegou ao lugar que ocupa hoje?

Victor Brandão: Eu sou natural de Arouca, fui estudar para o Porto e, naquela altura, todos os médicos eram obrigados a fazer um serviço médico à periferia, uma espécie de serviço militar obrigatório médico. E, por mera coincidência, na listagem de locais que poderia escolher, vi que havia vagas para vir para cá (Arouca).
Eu e um grupo de colegas decidimos escolher Arouca, mas com a intenção de ao fim desse ano regressar ao Porto e seguir uma especialidade. Mas quando cheguei cá, apaixonei-me por isto. Eu já conhecia Arouca, mas como entretanto estive muitos anos a estudar fora, quando cá cheguei apaixonei-me pelo trato que as pessoas me dedicaram e não consegui mais sair.
Mesmo assim tentei sair e concorri a uma especialidade, fiz o exame, entrei para cirurgia cardio-toráxica, mas não consegui aguentar as saudades de Arouca, do povo, do trato das pessoas e mantive-me aqui até hoje.
Passei por vários cargos, estive ligado à direção do antigo Hospital da Misericórdia, muito antes de haver centros de saúde, fui delegado de saúde, diretor do centro de saúde, administrador do antigo hospital, e chegou a uma altura em que nem sequer me passava pela cabeça sair daqui. Não trocava isto por nada deste mundo. E mantive-me aqui até agora,… julgo que valeu a pena. Tentei sempre dar o meu melhor.
Penso que durante o tempo que estive à frente do serviço público de saúde mostrei uma disponibilidade absoluta para tudo e todos, nunca recusei consultar fosse quem fosse, independentemente de saber se a pessoa era minha amiga ou se gostava de mim ou não. O meu percurso foi sempre esse: dedicação absoluta ao povo de Arouca, sempre em busca do crescimento, no respeito absoluto pelos outros e na maior honestidade possível. Até hoje nunca prejudiquei fosse quem fosse, nem a nível do campo das intenções, nem a nível do campo do património. Nunca desviei um cêntimo que não me coubesse por direito.
E é esta a minha postura e o meu percurso em Arouca, gosto muito do que faço.

D.D.: Como é que tem visto o crescimento do sector da saúde, principalmente em Arouca, que é a realidade onde está integrado e que melhor conhece…

V.B.: Estou há quase 40 anos ao serviço da saúde e acho que era uma obrigação da minha parte colocar toda essa experiência ao serviço do povo de Arouca. Quando surgiu a oportunidade de concorrer à Misericórdia como rovedor, resolvi concorrer e estou aqui há cerca de 11 anos à frente do serviço de saúde. Julgo que a fizemos crescer de tal forma, que hoje a Misericórdia é um potentado em termos de resposta, quer a nível de saúde e outras valências e penso que tem sido feito um bom trabalho a todos os níveis.

“Em termos de saúde ainda temos muito para fazer em Arouca”

D.D.: Depois de todos estes anos de trabalho ao serviço dos arouquenses, o que é que ainda há por fazer?

V.B.: Penso que em termos de saúde ainda temos muito para fazer em Arouca.
Neste momento, o que eu gostaria de dar seguimento era um hospital bem estruturado, moderno, construído de raiz, que se pudesse acoplar ao existente, ou pelo menos parte dele, e que fosse mais um meio de resposta às carências do povo de Arouca. É essa a minha intenção. Vamos, enquanto eu estiver à frente da Misericórdia e conjuntamente com a Mesa Administrativa, dar seguimento a um novo projeto do hospital, que vai ser um grande orgulho para o povo de Arouca, se conseguirmos apoios para levá-lo até ao fim.

D.D.: Depois da entrevista que deu aos órgãos de comunicação social sobre o caso do homicida Pedro Dias, sente que essas declarações afetaram de algum modo o seu dia-a-dia?

V.B.: A entrevista teve por fi nalidade esclarecer e, ao mesmo tempo, ajudar a que se encerrasse um caso que mexeu muito com a vida das pessoas em Arouca e um pouco por todo o país. Ela visava três coisas: uma delas era melhorar a imagem que se estava a passar de Arouca e de todo um povo que não pode ser responsabilizado por coisas pelas quais não tem nenhuma participação. Depois, respeito absoluto pelas autoridades, que a elas compete investigar e nós não temos de nos policiar sobre os factos que se passaram recentemente. E, por outro lado, acreditando que pudesse ter alguma influência junto da pessoa em causa, para que ela se entregasse o mais depressa possível, para esclarecer o sucedido. Sobre a entrevista não tenho mais nada a acrescentar.

A presidência da Câmara de Arouca

D.D.: Um dos seus objetivos de há vários anos era chegar à Presidência da Câmara. Vai ser candidato?

V.B.: Essa é uma pergunta um pouco indiscreta. Nós estamos, como se sabe, a caminho das eleições e queiramos ou não, um ano em política é uma eternidade. As coisas mudam quase de um dia para o outro. Para ser sincero, eu não tenho nenhuma ambição em ser Presidente da Câmara de Arouca. Eu tenho ambição por fazer muito mais por Arouca e só o conseguiria através da Presidência. Não vou negar essa hipótese, admito vir a ser candidato a presidente da Câmara de Arouca. E não estou nada preocupado se ganho ou perco. Se o fizer será ligado a forças com as quais me identifico mais, refiro-me concretamente ao PSD, que seria a força com quem eu gostaria de trabalhar. Revejo-me mais nesse sector do que noutros sectores ligados a uma economia estatizada. Gostava de o fazer um dia, pelo PSD de preferência mas, se não for possível, fá-lo-ei em nome do PSD por outra via.

Entrevista de Andreia Borges

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