Arouplás

15 anos de Arouplás Custo da energia eléctrica, mão-de-obra e insegurança são factores de preocupação.

Fizeram 15 anos em Março, têm 43 funcionários, 8 dos quais admitidos já este ano. A Arouplás dedica-se à transformação de plásticos por injecção que servem diferentes sectores de mercado. Podemos encontrar um produto Arouplás num pequeno componente do nosso telemóvel ou nos plásticos que protegem os faróis do nosso automóvel, entre muitos outros. Sem qualquer pudor, António David Silva, fundador da empresa, conta como começou, fala do crescimento, do sucesso da facturação alcançada e afirma ter “orgulho” em pagar impostos. O nascimento da Arouplás remonta a Março de 2003. António David Silva lembra que, na altura, ao constatar que os fi lhos – embora ainda frequentassem o ensino secundário – estavam “a estudar para desempregados”, resolveu aventurar-se no mundo dos negócios. “Comecei em Rossas, num vão de escada, com apenas uma máquina de injecção de plásticos. Todos os anos fui comprando máquinas”, conta o empresário que, embora já reformado, não deixa de marcar presença diária nas instalações da Arouplás. “Ao terceiro ano juntou-se um grupo de amigos e comprámos e loteámos os terrenos onde agora estamos – a zona industrial das Lameiradas”. Já nessa altura “o vão de escada” estava lotado com 3 máquinas que entretanto comprara. A escolha do local já foi feita tendo em conta as acessibilidades pensadas para o local. Para além da via estruturante, a zona industrial das Lameiradas deve ficar servida por ligações à auto-estrada e pela estrada que ligará Penafiel a Sever do Vouga. “Para além disso, estamos no limite do concelho e voltados para a zona para onde saem os produtos que fabricamos”. As desvantagens da localização prendem-se com a falta de transportes públicos, com a deficiente cobertura de ADSL, com os frequentes cortes de energia e com a insegurança das instalações. Pelo facto de estar na partilha do concelho, sem vigilância policial, o local é visitado várias vezes pelos “amigos do alheio”. Quando questionado sobre a razão que o levou a escolher esta área de trabalho, a resposta surge rápida, como se não houvesse nada mais óbvio: “Sou de Oliveira de Azeméis, terra de moldes, e passei pelo trabalho dos moldes, mas esta é uma arte que exige muito. Tive 2 esgotamentos. Sou um apaixonado pelos moldes, passei por todas as funções relacionadas com este trabalho, e para poder continuar a mexer nos moldes vim para os plásticos”. Se inicialmente vendia componentes para embalagens metálicas, agora a maior fatia da sua produção destina-se à indústria automóvel (65%), seguindo-se a indústria de telecomunicações (20%) e o restante são componentes diversos para embalagens metálicas. As peças aqui produzidas seguem para outras fábricas em Portugal “para levarem outros componentes metálicos”, depois “vai tudo para exportação”. O evoluir da empresa ditou igualmente a alteração do seu capital social e o valor das obrigações com o Estado. Nada que preocupe António David Silva, que considera que os impostos são necessários e representam a vitalidade da empresa. “De 2003 para 2005 duplicámos a facturação, de 2005 para 2007 triplicámos”, acrescenta o fi lho Pedro Silva, comercial na empresa familiar. Sempre tiveram resultados positivos e sempre voltaram a investir no crescimento da empresa. Mas, concordando com as afirmações feitas pelo presidente da AECA na última rubrica do Empresas & Empresários, António David Silva lamenta a falta de mão-de-obra. “damos preferência às pessoas de Arouca, mas temos trabalhadores de todo o Entre Douro e Vouga. A procura de emprego aqui vem de fora do concelho. Nos concelhos vizinhos os pais dos jovens já trabalharam em fábricas e os fi lhos já sabem o que é trabalhar em fábricas. Em Arouca as pessoas gostam é de ar livre. Se pusermos um anúncio no jornal a pedir um funcionário aparece um ou dois, se a Câmara pedir cantoneiros aparecem 30!”, desabafa. Para este empresário a política dos cursos profissionais continua a não se enquadrar na realidade do tecido empresarial existente: “é óbvio que para cada administrativo são precisos 10 operadores de máquinas!”. Actualmente, está a ser construída uma ampliação da fábrica, que deverá estar concluída no prazo de um ano. Esta nova construção prevê uma adaptação para deficientes, elevadores, de forma a receber funcionários com incapacidades motoras. Aliás, “o primeiro funcionário que a empresa contratou tem uma paralisia cerebral. Na produção, é o melhor que temos e o que ganha mais”, revela o gerente. Bem posicionada no mercado, a Arouplás dá um exemplo de responsabilidade social. São vários os donativos a escolas, associações, instituições de solidariedade social. Mas vai para além disto. “Nunca paguei salário mínimo a ninguém, e os meus trabalhadores sabem que em Janeiro o salário aumenta, pelo menos 3%”, afirma António David Silva. “Damos condições para os funcionários produzirem, até máquina de café temos à disposição de todos – sem cobrar nada por cada café tomado – e celebramos sempre os aniversários de cada um deles”. A preocupação com os funcionários também não se limita às paredes da fábrica. Os resultados positivos devem-se, diz António David Silva, à polivalência dos funcionários – “tentamos que eles não estejam demasiado especializados numa única parte do processo de produção, mas que conheçam todo o processo” –, à qualidade do serviço prestado aos fornecedores – “esforçamo-nos por oferecer mais do que o produto encomendado” – e à confiança que o cliente deposita na Arouplás – “o cliente fidelizou-se porque vendemos a um preço acessível, no prazo que ele estipula, com qualidade”. Mas, e a crise do preço do petróleo (matéria-prima dos plásticos) não afecta a laboração? Afecta, claro. Não só em termos de aquisição de matéria-prima, como no que diz respeito a entregas. “Mas afecta-nos mais o aumento da energia eléctrica! Gastamos mais de 8 mil euros por mês em electricidade, mesmo sendo as nossas máquinas novas e de baixo consumo energético – apostámos em equipamento caro para consumirem pouca energia. Aqui a energia é consumida 24 horas por dia, porque trabalhamos 24 horas por dia. A própria ideia de trabalhar durante todo o dia prende-se com a poupança porque se evitam os “arranques” das máquinas e as tarifas nocturnas são mais baratas”. Todos os anos são traçadas novas metas para a empresa. Em 2007 facturaram cerca de 3 milhões de euros. Para 2008, a contar com a difícil conjuntura económica e a retracção do mercado, prevêem facturar 3 milhões e seiscentos mil euros. E mesmo sem previsões a longo prazo, a aposta é continuar a fazer crescer a empresa familiar.

Texto e foto de Cláudia Oliveira, edição nº 5 do JDD

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